Fugi de Porto (ou Forno?) Alegre, busquei refúgio no litoral, em Pinhal/RS. Uma carona da casa da irmã, Lili e do cunhado César. Imaginei que lá encontraria um clima ameno promovido pelo ar do mar. Ledo engano! Nos meus dez ou doze anos de veranista em Pinhal nunca senti calor igual. A massa de ar quente que cobre Porto Alegre se estende além do que eu imaginava. E Pinhal também está embaixo desse imenso cobertor. Um ou dois graus centígrados a menos, agravados pela sensação de lagartixa provocada pela maresia, que adere na pele e deixa o corpo pegajoso. Não há banho que resolva, é questão de minutos para o grude voltar.
Sobrou calor humano na casa de praia também. Nada extraordinário provindo de pessoas tão incríveis como César e Lili. E não é questão de querer puxar a brasa para o meu assado. Alguns dos melhores momentos da minha vida desfrutei na companhia dos dois e das duas filhas lindas. Gente iluminada e abençoada por Deus. Conversamos, rimos, matamos uma saudade que já começa a crescer pela falta deles.
Voltei para o calor de Porto Alegre. Choveu forte aqui, me dizem. As marcas aqui e acolá confirmam a enxurrada. O calor diminuiu, mas permanece o abafamento. Nada de novo no front. Continuo a contar os dias para a volta da temperatura mais amena, aguardando a chegada do outono, do inverno. Minha mulher discorda, exaltando as qualidade do verão e eu contra-ataco dizendo: “se calor fosse bom, o inferno seria gelado”.
0 Responses to “Fuga Impossível”
Leave a Reply
You must login to post a comment.