Leio que o Conselho Federal de Medicina irá rever protocolo para as cirurgias plásticas. A decisão vem depois da morte da Jornalista Lanusse Martin, vitimada por erro médico cometido em uma cirurgia de lipoaspiração. A decisão, embora tardia, deve ser comemorada, espera-se que ela diminua muito o número de mortes nesse tipo de intervenção. Só lamento que se precise do corporativismo da imprensa para que, diante da justa pressão, o Conselho Federal de Medicina se pronunciasse. Como sempre digo: nesse país temos uma descarada “mais valia humana”: uns são mais cidadãos, mais gente do que os outros.
Algo semelhante já havia ocorrido quando da morte do jornalista Tim Lopes no Rio de Janeiro. Naquela ocasião a imprensa pressionou as autoridades tanto no sentido da condenação dos autores, quanto da celeridade do processo. O que se pode dizer quanto ao justiçamento das outras milhares de vítimas da onda de violência no país? Normalmente só servem para que os órgãos da imprensa recheiem o noticiário e estampem manchetes escandalosas. Existe a denûncia, mas inexiste a pressão.
Tudo isso me faz lembrar as operações padrões, quando profissionais das mais variadas categorias resolvem seguir o manual como forma de pressão para as suas reivindicações salariais. Ou seja, pressiona-se fazendo aquilo que sempre deveria ser feito. A lógica mais primária nos diz que o procedimento normal é sempre mal feito. O mesmo se pode dizer da imprensa baseado nos casos citados: quando jornalistas são vitimados, os colegas passam a trabalhar como sempre deveriam fazê-lo.
E essa não é infelizmente uma característica exclusiva da imprensa. Não é por outro motivo, só para citar outro exemplo, que a maioria dos casos que envolvem policiais são solucionados pelos seus colegas. É de se lamentar esse proceder, não há justificativa para só fazer bem feito quando se trata de defender um dos seus. Todos são cidadãos, todos pagam impostos, todos merecem o melhor.
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