Continuo achando notável a capacidade do nosso querido apedeuta de servir a dois senhores, mais do que isso: de servir a tantos senhores quantos precisos for. Aplaudido no inútil Fórum Social Mundial – onde da boca de um “sábio” organizador ouvi a pérola de que “a nossa tese quase venceu no ano passado, quando o capitalismo esteve em vias de acabar”. Mal sabe esse “sábio”, que defende a caridade com o chapéu dos outros, com bolsas famílias, merendas e outros mimos, e que só são possíveis porque tem um bando de “malditos capitalistas” trabalhando e gerando receita para encher a burra do governo. Depois do fórum o presidente iria para Davos receber mais um prêmio – onde certamente seria aplaudido também (o pretérito imperfeito é porque eu soube que a viagem foi cancelada pois o presidente passou mal).
Os imbecis que o aplaudem parecem não notar a impropriedade da conduta: não há como concordar com as teses imbecis do Fórum Social Mundial e com as dos Fórum dos Capitalistas de Davos, que são antagônicas, ou seja, defendem pontos de vista diametralmente opostos. A explicação de que “vou a Davos para criticar os países ricos” é uma deslavada asneira. Quisesse protestar, simplesmente não iria a Davos, daria uma declaração recusando o prêmio imerecido pelas teses que diz defender, e merecido pela prática das teses capitalistas que aplica na prática – e que bem o digam os satisfeitos banqueiros nacionais!
E todos os outros imbecis da platéia nacional parecem achar que tudo isso está certo e não há a mínima contradição. Ao menos não escuto vozes, nem leio nada discordante dessa nossa tão sábia imprensa nacional.
Leio que a imprensa está ocupada com outros assuntos, comovida com a morte de uma colega, jornalista de Brasília, e mais uma das centenas de vítimas das chamadas lipoesculturas dessa febre de valorização da forma do corpo. E esse é mais um dos nossos problemas: muito cuidado com corpo e pouco com a cabeça; belos corpos em cabeças ocas. Se o fato é triste, triste é também reconhecer que a imprensa fica mais corporativa e atenta quando isso acontece com um dos seus. E as outras vítimas? Não merecem o mesmo destaque nas manchetes?
O mesmo cuidado deveria ser dispensado pelo nosso presidente as vítimas das chuvas ocorridas em território nacional. Se é triste o ocorrido com o Haiti, manda o bom senso que não esqueçamos das nossas vítimas, que também sofrem como os haitianos. O apedeuta fala muito no Haiti e não abre a boca para falar dos nossos problemas – que devem estar todos resolvidos na sua ingênua cabeça ou que mira objetivos não claramente manifestados? Ele diz pleitear um nobel da Paz para a missionária brasileira recentemente vitimada no Haiti. Um prêmio pós-mortem? Eu sei bem para quem ele está pleiteando esse prêmio…
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