O santo filho de dona Lindú

“A presença do Estado é muito reduzida e precisaria avançar para o país se transformar em uma grande nação onde o conhecimento e a cultura se transformam no principal ativo na sociedade do conhecimento”, diz Marcio Porchmann, presidente do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), sobre os resultados de uma pesquisa realizada pelo instituto para averiguar o número de salas de cinema(?) nos municípios brasileiros.

A notícia, dita assim não revela muita coisa, não cita o propósito (ao menos o propósito real) com que foi realizada, subtendendo-se tratar-se de uma  saudável preocupação do governo com o nível cultural da população. Segundo o site do IPEA, o instituto “é uma fundação pública federal vinculada à Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República. Suas atividades de pesquisa fornecem suporte técnico e institucional às ações governamentais para a formulação e reformulação de políticas públicas e programas de desenvolvimento brasileiros.”

Mas o que teria feito com que Luiz Inácio restasse tão preocupado com o número de salas de cinema do país? Você realmente acredita no interesse presidencial pela difusão de atividades culturais entre a nossa população? Sinto desapontá-lo! A razão para o súbito interesse presidencial não é outro senão o tão aguardado lançamento do filme “O Filho do Brasil”, que marca o início de uma campanha para que seja obtida a beatificação de (São) Luiz Inácio Lula da Silva.

O presidente anda preocupado com o número de eleitor… quer dizer, espectadores que deverão assistir ao seu filme. O filme que “coincidentemente ficou pronto e será lançada num ano eleitoral” (segundo o diretor devido às dificuldades encontradas para a liberação da verba de patrocínio entre algumas empresas totalmente desinteressadas nos assuntos do governo, tais como as construtoras OAS, Camargo Correa, Odebrecht e outras menos cotadas).

Eu sempre digo, vou morrer e não vou ver tudo…

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