Eu vivo num estado que se gaba de ser politizado, ou um de ser um dos mais do Brasil. E aqui não nasceu, mas floresceu, com vigor inaudito as hostes do Partido dos Trabalhadores. Tivemos várias administrações petistas na capital, uma administração estadual e hoje está presente, como situação ou oposição em vários municípios.
Também somos, a contrário senso, um dos estados, senão o principal, que mais joga duro com a administração federal petista, aqui Lula, o unânime, não tem vida fácil nos pleitos que disputa. E qual será o motivo disso? Não seria lógico que ocorresse o contrário?
A razão é simples, clara, lógica: só sabe do gosto amargo da fel quem já provou uma dose. E nós, gaúchos, já provamos várias doses. Não é que o partido faça más administrações, até que não. Mas é muito difícil conviver com a intemperança, com quem pensa e não admite a controvérsia.
Não é por outra razão que o nosso presidente usa no seu discurso esses pronomes: nós e eles. Eles, no caso, são todos os que não pensam da mesma forma, os que discordam, os que não aderem ao pensamento do caminho único, do partido único. Ser petista é ser mono num mundo plural.
Com a derrocada dos regimes comunistas, os neocomunistas descobriram uma forma alternativa de convivência nos regimes democráticos. Descobriram que é possível viver dos vícios do capitalismo, que gera uma multidão de excluídos, tantos quantos forem os incompetentes. Viver no capitalismo exige muito, não é regime para parasitas, para inaptos.
Floresceu um populismo de ocasião, os regimes passam a pagar, a acolher esses excluídos, não para que sejam incluídos socialmente que se tornem cidadãos aptos, isso não interessa. O regime vive desse vício e curá-lo seria a forma mais certa de matar a galinha dos ovos de ouro. Assim os excluídos são sustentados como massa de manobra, como base para a manutenção “democrática” dos seus governos.
Constantemente os defensores desses populismo gritam ao quatro ventos que só quem não os aprovam é a classe média burra. Estão certos! A classe média é o burro de carga que mantém o sistema funcionando. Paga a conta sem poder chiar. Paga para manter a companheirada instrumentada no poder, paga pelos excluídos, paga por tudo e paga sempre.
Quem pertence ao grupo do “nós” está satisfeito. Ou satisfeito porque usufrui de alguma das muitas mamatas que o poder proporciona aos aliados, satisfeito porque sabe que o sistema – ao melhor estilo Lula – não mexe nos poderosos – os banqueiros que o digam! -, satisfeito porque está recebendo alguma bolsa da vida.
Enganam-se, por exemplo, os que pensam que todos os cubanos estão insatisfeitos com o regime da ilha. O mais importante para muita gente não é fato de ter ou não ter, mas o fato de que se for para não ter, que ninguém tenha. Quem sonha em viver fora da ilha são os mais aptos, os que sabem que fora de lá seriam e teriam muito mais. Os incompetentes, os inaptos vivem felizes lá.
Aprendi desde cedo que muitas vezes quando você estende a mão para tirar alguém do buraco, quem a recebe acaba usando-a para puxá-lo para dentro do buraco. Nosso egoísmo se manifesta em duas vias: pelo desejo de ter mais, ou pelo desejo de que ninguém tenha nada.
E essa é uma equação sem solução. A felicidade não existe.
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