Monthly Archive for December, 2009

Dom Quixote e o pacote

O pacote vem completo. Começa estimulando todos a comemorarem as esperanças renovadas de um ano novo. Apresenta uma série de comes, receitas para a derradeira ceia de 2009. Ah! Claro! Não pode faltar o acompanhamento, uma série de complementos alcoólicos,  que ninguém é bobo de fazer papel de bobo de cara limpa. Mas não se esqueça: “BEBA com moderação“. É claro que tudo isso vai provocar uma série de transtornos gastrointestinais, portanto tome um “limpatripas” qualquer e um remédio para a dor de cabeça, mas lembre-se:  ”caso persistam os sintomas um médico deverá ser consultado“.

O massacre é diário: ela está em todos os lugares. Não há como fugir dela, que está no rádio, na televisão (que ainda se atreve a nos dizer que é “aberta e gratuita”, com se nós não pagássemos um preço por isso!), nos jornais, revistas, nos cartazes, folhetos, no telemarketing, aqui na internet com seus admirados e admiráveis banners e nos queridos e amados pop-ups e até no carro de som que passa nas ruas das cidades. Ela, a publicidade.

É o preço que pagamos pelo nosso consumismo. Fazer o quê? Fora da sociedade de consumo, não há vida, não há sociedade. Nós nos tornamos senhores e escravos de um sistema que nos dirige, comanda, quase teleguia. Eu não quero limpar os meus dentes, diz a linda moça fantasiada de dentista, mas dentes mais brancos. Quero? Está bem. Eu tenho que usar o creme de barbear do Ronaldo Fenômeno, diz a inconfundível (e terrível) voz do atleta. Não sei que bem isso me fará, mas se o craque manda, fazer o quê?

O locutor do rádio diz que devo usar os serviços da funerária tal. Uma funerária que ele qualifica como “a minha funerária querida”. Devo? Talvez seja melhor manifestar esse desejo para os que me rodeiam, caso contrário ficarei dando voltas na cova, serei mais um morto contrariado e mal humorado. Vontade de morrer dá mesmo quando ouvimos um daqueles maravilhosos jingles, essa maravilhosa invenção de algum cérebro sádico. O que já é terrível quando falado – ou lido – torna-se então insuportável ao ser ouvido.

Sei que estou lutando (estou?) uma luta perdida. Francamente! Nem isso!, não há verdadeiramente uma luta,  essa é uma guerra perdida e sem nenhuma ilusão, nem para o mais tresloucado dos quixotes. Mas que fique, ao menos, o protesto, como uma espécie de propaganda da antipropaganda. E viva a sociedade alternativa!

Putz… Desculpem-me, acho que desembarquei no planeta errado!

Balanços

Como um hábito herdado da mídia – a arte imita a vida ou vice-versa? – essa é a época dos famosos balanços (retrospectivas) do ano de 2009. A época em que ficamos relembrando tudo o que prometemos para o ano e (novamente) não cumprimos.

Não tenho esse hábito, primeiro porque sou um total descrente nessa nossa forma de contar o tempo. Fizemos tudo errado nessa área. Quem é que disse que podemos dividir o tempo? Ou não estamos lidando com uma grandeza contínua? Acreditamos piamente nessa história de que a vida se renova a cada ano; contamos a nossa idade acrescentando anos a ela, quando deviamos é subtrair. Eu só sei que hoje tenho -56 anos de vida, tenha ela a duração que tiver!

Vamos prometer emagrecer? Fazer exercícios todos os dias? Cuidar melhor da saúde? Da pele? Sair mais (ou menos)? Aproveitar melhor o tempo? Deixar de fumar? De beber? Tratar melhor dos que nos são queridos? Cuidar melhor do lado espiritual? Enfim, vamos prometer tudo aquilo que prometemos todos os anos, a mesma ladainha emocional que será esquecida já no amanhecer do dia primeiro.

Não prometo nada. Assim não sentirei o desprazer de descobrir que tudo não passa de palavras vãs, fúteis. Continuarei, para o bem e o mal, sendo o mesmo. Os mesmos defeitos, as mesmas qualidades, um pacote completo que ninguém é obrigado a aceitar ou comprar.

Balanços? Gosto daqueles do parquinhos infantis…

O santo filho de dona Lindú

“A presença do Estado é muito reduzida e precisaria avançar para o país se transformar em uma grande nação onde o conhecimento e a cultura se transformam no principal ativo na sociedade do conhecimento”, diz Marcio Porchmann, presidente do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), sobre os resultados de uma pesquisa realizada pelo instituto para averiguar o número de salas de cinema(?) nos municípios brasileiros.

A notícia, dita assim não revela muita coisa, não cita o propósito (ao menos o propósito real) com que foi realizada, subtendendo-se tratar-se de uma  saudável preocupação do governo com o nível cultural da população. Segundo o site do IPEA, o instituto “é uma fundação pública federal vinculada à Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República. Suas atividades de pesquisa fornecem suporte técnico e institucional às ações governamentais para a formulação e reformulação de políticas públicas e programas de desenvolvimento brasileiros.”

Mas o que teria feito com que Luiz Inácio restasse tão preocupado com o número de salas de cinema do país? Você realmente acredita no interesse presidencial pela difusão de atividades culturais entre a nossa população? Sinto desapontá-lo! A razão para o súbito interesse presidencial não é outro senão o tão aguardado lançamento do filme “O Filho do Brasil”, que marca o início de uma campanha para que seja obtida a beatificação de (São) Luiz Inácio Lula da Silva.

O presidente anda preocupado com o número de eleitor… quer dizer, espectadores que deverão assistir ao seu filme. O filme que “coincidentemente ficou pronto e será lançada num ano eleitoral” (segundo o diretor devido às dificuldades encontradas para a liberação da verba de patrocínio entre algumas empresas totalmente desinteressadas nos assuntos do governo, tais como as construtoras OAS, Camargo Correa, Odebrecht e outras menos cotadas).

Eu sempre digo, vou morrer e não vou ver tudo…

Os dias do…

Pois bem, o dia do perú já passou. Agora vem o dia da champanhe e da lentilha depois vem o carnaval e, mais adiante,teremos o dia do bacalhau. Nós, a rigor, não comemoramos efemérides, comemoramos gastronomias, diferentes menus, já que, para muitos, esses dias não passam de datas em que a dieta muda da trivial macarronada ou do sempre presente feijão-com-arroz.

Eu sempre digo que não gosto desses dias do, que na maioria das vezes já perderam totalmente o significado real – se é que em algum dia tiveram algum, assim como os antigos ritos de passagem – e hoje já não representam nada mais do que datas boas para o comércio. Tudo como se fosse preciso paz, harmonia e amor só nos natais.

Também não me agradam esses comerciais – para não dizer que detesto todos eles! – que pintam de delicado rosinha bebe conhecidas organizações abutres da nossa economia – que vivem de explorar a carniça alheia, nós -, como, por exemplo as instituições financeiras, cartões de crédito e bancos.

Mas isso não passa de implicância anticonsumista minha. No fundo é a economia que faz girar esse planeta ou, simplificando: “money rules”.

Uma polícia bem trapalhona

Dentre as várias coisas ruins que herdamos do período da ditadura está essa divisão entre as polícias no Brasil. Não se trata da Polícia Federal, ou da Rodoviária Federal, mas dessa divisão entre polícia civil e militar que ocorre nos estados. Aqui neste espaço não cabe nem vou entrar nas raízes históricas de cada organização, nem nas motivações que levaram os militares a criarem esse modelo de polícia no Brasil.

Para o leigo basta saber que no Brasil há duas polícias encarregadas da segurança pública nos estados: a civil e a militar. Existe ainda as guardas municipais e os guardas de trânsito, mas a elas não está diretamente destinada a segurança pública estadual, servindo com forças auxiliares que atuam nos municípios em que se encontram instaladas.

A existência de um segmento civil e de um fardado não é nenhuma exclusividade do Brasil, existe praticamente em todo o mundo, o que difere no caso brasileiro é que esses dois segmentos não pertencem a uma mesma organização – e aí está o pomo da discórdia, o nó górdio da questão: uma aberta rivalidade entre esses dois segmentos policiais brasileiros.

Não temos no país o que os profissionais da área chamam de “ciclo completo de polícia”, a atividade que vai desde a prevenção até a repressão da atividade criminosa. À polícia militar estaria afeta a atividade de polícia preventiva – aquela que deveria evitar que os delitos ocorressem. À polícia Civil teria a seu encargo a atividade repressiva, a que visa investigar para descobrir e prender os autores dos delitos.

Na prática o que se vê é um constante entrar na esfera de competência alheia, ora a Polícia Civil querendo trabalhar na prevenção, ora a militar operar na repressão. Aqui mesmo no Rio Grande do Sul, a Brigada Militar vem apresentando nos últimos tempos resultados de operações que deveriam ser executadas pela Polícia Civil. E não se diga que o faz só porque a congênere não é eficiente no seu trabalho – e não o é! -, mas o faz para compensar sua quase total inoperância na atividade de polícia preventiva.

Não tenho certeza se isso decorre de alguma política governamental, que talvez prefira ver a polícia longe das ruas, pela falta de recursos materiais e humanos, ou é meramente orientação das polícias militares. Só sei dizer que polícia preventiva que só chega quando o crime já ocorreu, equivale a médico que chega para salvar quem já morreu. E é isso que está ocorrendo aqui no Estado. Costumeiramente não há policiamento ostensivo nas ruas e, quando chamados, a polícia militar, porque está muito longe da população, sempre chega muito tarde, quando Inês já é morta…

Feliz Natal

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Os índices

Vivemos em uma época em que tudo é medido, calculado, previsto, antecipado. Em uma espécie de associação milagrosa da matemática com a astrologia e com a estatística, o nosso futuro é constantemente previsto e antecipado. Chega a ser alguma coisa que soa como um fatalismo, algo com poder sobrenatural de mudar o destino de todos. Os números sabem mais do que ninguém, até mais do que eu mesmo o que será do nosso amanhã, do meu amanhã. Sabem?

Vamos crescer a tanto por cento, vamos inflacionar a outros tantos, o meu nível de satisfação é de tantos pontos. Pronto! O governo me diz que eu sou feliz! E eu sou feliz? Não sei ao certo, só sei que não posso contradizer a “história oficial”, esses poderosos números que dizem como penso, como vivo, como sou.

Os números não mentem, dizem. Eu sei, e eu confio nos números, mas o mesmo não posso dizer daqueles que os manipulam, os trabalham, os que tiram conclusões baseados neles. Agora mesmo falavam em grau de confiança do consumidor, alguma coisa relacionada com o potencial para a gastança de cada um. Parece que uma das previsões falhou, o número é maior do que a realidade, ou seja, o pessoal que calculou o índice esqueceu que é preciso outro número para a sua concretização: o número de notas – altas – no bolso dos consumidores.

É o tipo de caso em que o querer não é poder. Querer todos querem, mas só podem aqueles em que esse querer está associado a algum dinheiro no bolso. Pior, pela própria lei da gastança essa é uma grandeza inversamente proporcional, ou seja, quanto mais se quer, menos sobra dinheiro para continuar querendo…

Feliz Natal para todos!

A Conferência da Imbecil Diversidade

Reunidos pretensamente para salvar o planeta em Copenhague, a COP 15 – Conferência Mundial sobre o clima das Nações Unidas – fracassou por dois motivos básicos: não há nações unidas e os motivos que levaram os dirigentes do mundo livre e não livre ao conclave nunca foi a preocupação com o clima. Coloboraram para isso uma plêiade de atores que povoam o cenário mundial.

Começando pelo ator local, nosso molusco presidente, o apedeuta, que nem sabe da maioria daquilo que lê nos discursos preparados pela sua despreparada assessoria, que foi a Copenhague tentar fazer emplacar o marionete Dilmão. Com olhos em 2010, pela necessidade de manter a cumpanheirada no poder e fazer o sucessor que garantirá que não se levantem os tapetes do Planalto, Lula preparou o palco para a sua despreparada candidata.  Todo mundo viu no que deu…

Obama foi a Copenhague com a corda no pescoço, embrulhado na tentativa de fazer passar um plano de saúde rejeitado pela direita reacionária americana derrotada no processo eleitoral e com a sua popularidade em queda livre. Obama carrega vários fardos: uma economia devassada deixada pelo “sábio” Bush, um país envolvido em duas guerras perdidas e, principalmente, o fato de ter sido eleito como um salvador da pátria.

A China foi a Copenhague disposta a não abrir mão do seu ovo de colombo: a economia de mercado. Depois de décadas sob o domínio de Mao e do mal, o gigante oriental descobriu que pode ganhar muito dinheiro vendendo quinquilharias para um ocidente sedento delas. Agora não quer abrir mão do seu sagrado direito de fazer e vender porcarias.

E o eixo dos imbecis – Castro, Chaves, Evo, Rafael e etc – foram a Copenhague na firme disposição do se manter no quanto pior melhor, dispostos a fazerem com que não se fizesse coisa nenhuma. O fracasso de Copenhague representa o sucesso do modo de pensar dessa gente.

E esse foi o resumo da ópera. Agora vamos ficar aguardando pelo aquecimento global, aumento do nível do mar e da estupidez humana neste planeta que vai aos poucos chegando ao seu epílogo…

O ovo (podre) de Colombo

Eu vejo gente falando em reforma política, como se o intento de qualquer um deles fosse reformar (no sentido de atender às demandas da população ou melhorar o funcionamento das instituições políticas). Tudo o que existe em termos de política se destina exclusivamente ao benefício dos políticos. E só. A classe só trabalha em proveito próprio, é o próprio moto-contínuo que existe, embora ainda não tenham descoberto.

Qualquer medida saneadora no meio político virá em prejuízo dos próprios políticos, e não vejo nenhum deles seriamente interessado em dar um tiro no pé. É por essa e por outras que educação nunca foi e nunca será prioridade “nestepaís”. Quem quer acabar com as nomeações baseadas no puxa-saquismo e na compra de consciências? Quem quer acabar com as siglas e os políticos de aluguel? Quem quer transparência nos famosos caixas dois? Quem quer acabar com as “sobras de campanha”?

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Neste episódio da nomeação de um deputado gaúcho para o Tribunal de Contas do Estado, dois petistas foram sabatiná-lo (com o intuito de demonstrar que o mesmo não estava preparado para o cargo). Perguntaram-lhe quais eram os cinco princípios basilares da administração pública. O sabatinado respondeu que não sabia. Triste. Mais triste é saber que os cinco princípios da administração pública estadual não são cinco. São nove! Nem os torquemadas sabiam! Mais triste ainda.

Eles só vêem defeitos nas coisas do Estado, na oposição. Não se preocupam com as nomeações do deus Lulla no governo federal (nem em qualidade, nem em número). Não se opuseram a nomeação de um ex-advogado do partido (PT) para membro da mais alta corte do país, advogado esse que foi reprovado duas vezes em concursos para juiz de primeira entrância. Este sim! Tem o notável saber jurídico, pelo que pode notar.

A questão não é como colocar o ovo em pé. A questão é se há vontade de colocá-lo…

Mais dos mesmos mestres

Faço o comentário pela repercussão da m***erda proferida no discurso presidencial. Ainda continuo achando que é “pouca m***erda por nada”. Entendo que a palavra só acrescenta mais m***erda ao que normalmente já sai da boca do presidente. Por isso que afirmo que é muito barulho para pouca m***erda (a mais). Isso complica um pouco a candidatura à deus de Lula, mas não passa disso.

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Muito barulho por nada também faz uma parte da turma que forma o PMDB, o partido mais alugável do mundo. Falam em uma inexistente” possibilidade de uma impossível” candidatura própria. Não se cria. Nunca se criou e nem vai se criar em nenhum horizonte próximo ou futuro. Eu não entendo como ainda existe gente capaz de votar em gente desse partido (separado, dilacerado, repartido, dividido) partido.

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Mandaram a boca suja para Copenhague falar de coisas que ela não faz a menor idéia do que  sejam, tentando tornar engolível essa horrível e intragável candidata a filha de deus. Aguardem por mais asneiras a granel e à vista. Não é minha filha?

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Enfim, tudo na mesma nestepaís…