O pacote vem completo. Começa estimulando todos a comemorarem as esperanças renovadas de um ano novo. Apresenta uma série de comes, receitas para a derradeira ceia de 2009. Ah! Claro! Não pode faltar o acompanhamento, uma série de complementos alcoólicos, que ninguém é bobo de fazer papel de bobo de cara limpa. Mas não se esqueça: “BEBA com moderação“. É claro que tudo isso vai provocar uma série de transtornos gastrointestinais, portanto tome um “limpatripas” qualquer e um remédio para a dor de cabeça, mas lembre-se: ”caso persistam os sintomas um médico deverá ser consultado“.
O massacre é diário: ela está em todos os lugares. Não há como fugir dela, que está no rádio, na televisão (que ainda se atreve a nos dizer que é “aberta e gratuita”, com se nós não pagássemos um preço por isso!), nos jornais, revistas, nos cartazes, folhetos, no telemarketing, aqui na internet com seus admirados e admiráveis banners e nos queridos e amados pop-ups e até no carro de som que passa nas ruas das cidades. Ela, a publicidade.
É o preço que pagamos pelo nosso consumismo. Fazer o quê? Fora da sociedade de consumo, não há vida, não há sociedade. Nós nos tornamos senhores e escravos de um sistema que nos dirige, comanda, quase teleguia. Eu não quero limpar os meus dentes, diz a linda moça fantasiada de dentista, mas dentes mais brancos. Quero? Está bem. Eu tenho que usar o creme de barbear do Ronaldo Fenômeno, diz a inconfundível (e terrível) voz do atleta. Não sei que bem isso me fará, mas se o craque manda, fazer o quê?
O locutor do rádio diz que devo usar os serviços da funerária tal. Uma funerária que ele qualifica como “a minha funerária querida”. Devo? Talvez seja melhor manifestar esse desejo para os que me rodeiam, caso contrário ficarei dando voltas na cova, serei mais um morto contrariado e mal humorado. Vontade de morrer dá mesmo quando ouvimos um daqueles maravilhosos jingles, essa maravilhosa invenção de algum cérebro sádico. O que já é terrível quando falado – ou lido – torna-se então insuportável ao ser ouvido.
Sei que estou lutando (estou?) uma luta perdida. Francamente! Nem isso!, não há verdadeiramente uma luta, essa é uma guerra perdida e sem nenhuma ilusão, nem para o mais tresloucado dos quixotes. Mas que fique, ao menos, o protesto, como uma espécie de propaganda da antipropaganda. E viva a sociedade alternativa!
Putz… Desculpem-me, acho que desembarquei no planeta errado!
