Monthly Archive for November, 2009

Dingo o béu!

Dingo o béu! Entramos definitivamente no clima do natal. Essa do secretário do Governo do Distrito Federal afirmar que o dinheiro que correu a rodo era pra comprar panettones é demais. Quando eu penso que já ouvi de tudo nesse país – ou nestepaís, como preferem os mais cultos – acontece alguma coisa capaz de suplantar tudo o que antes ouvimos.

Esse pessoal já passou do estágio da cara de pau, isso é cara de diamante, na falta de material mais duro que possa definir tamanha cara dura. Eles, por incrível que possa parecer, ainda conseguem me surpreender, e eu pensando que já estava preparado para tudo e todos.

A verdade é que o nosso povo é em parte – e em quase tudo! – culpado por esses desmandos. Quem já não está cansado de ver os “nomes de sempre” nesse mixto de crônica política com policial? Apesar de cassados, demitidos, obrigados a renunciarem, esse pessoal volta sempre a nos assombrar.

E voltam porque dentro do nosso regime democrático eles são eleitos, o povo é desse forma o responsável, pois os recolocam no poder, para que, depois de breves lapsos de tempo voltem a delinquir.

As grandes democracias

Shirin-EbadiTodos sabem a preferência do governo Lula pelas grandes democracias mundiais, países que possuem um “excesso de democracia”, tais como: Cuba, Venezuela, China, Vietnam, Irã, etc. Recentemente, num ato profundamente democrático, o Governo de Teerã confiscou o prêmio nobel da paz concedido em 2003 a a ativista pelos direitos humanos Shirin Ebadi, em mais um gesto que demonstra o profundo senso de democracia e grandeza do país de Ahmadinejad.

Não adianta esse pessoal fazer discursos em que se declaram amantes da democracia e praticarem ações que desmentem cabalmente tudo o que afirmam – bravateiros! Todos sabem – ou deveriam saber – que nas veias dessa gente corre o recôndito desejo de implantarem uma ditadura, de preferência uma que possa perpetuá-los no poder. São amantes desses sistemas em que impera o pensamento único, o partido único. Sistemas em que todos podem “democraticamente” escolherem concordar com tudo o que afirmam.

Comunismo democrático é a liberdade de obedecer, de fazer e de pensar da forma como você é obrigado. Não existe!

Meninos maus!

Vou falar em tese, do caso eu só sei o que foi publicado e o que foi declarado pelo Presidente da Câmara dos Deputados, Deputado Michel Temer: “Vou mandar para a Corregedoria. Já conversei com o corregedor e veremos se há irregularidades nos casos listados. Vamos mandar aqueles que não sejam apenas indícios”, disse o presidente sobre uma suspeição levantada pelo jornal Folha de São Paulo de que 25 deputados teriam usado notas frias – de empresas fantasmas – para justificar gastos com a verba indenizatória de 15 mil reais.

Até aí tudo bem, afinal quando há alguma suspeição a obrigação de qualquer atento administrador é mandar investigar. Fez bem o presidente. O que não gostei foi o fecho da reportagem, quando Temer afirmou que “Existe uma mudança nas regras do Conselho (de Ética), que é a da gradação das penas, que eu estou patrocinando. Às vezes não é caso de cassação imediata, mas de uma punição menor”.

Aparentemente há uma conexão lógica entre as duas afirmações, ou estarei enganado? Supondo que as denúncias sejam confirmadas, ou seja, que tenha havido mesmo a utilização de notas frias para a comprovação de gastos com a verba indenizatória ou, em um português mais claro e menos político, que os acusados tenham roubado dinheiro público, metido no bolso grana indevida, praticado peculato, o presidente está advogando para os mesmos penas menores?

Realmente roubo é um delito menor, ao menos quando é praticado por políticos. Sugiro ao presidente da Câmara que apresente uma emenda propondo mudar o Código Penal Brasileiro, que se inclua a sua pretensão e, quando se tratar de políticos, o castigo para roubo poderia ser, digamos, escrever num quadro negro cem vezes “Eu não vou mais roubar dinheiro do povo”.

Quem sabe uma medidade desse tipo acabaria por corrigir os nossos bravos e republicanos políticos brasileiros?

Pobre Obama

Já fico imaginando as noites de insônia de Barack Obama, preocupado com as declarações do assessor Marco Aurélio “Top-top” Garcia que se disse “decepcionado” com o presidente americano. Certamente Top-top não deve ter gostado de uma carta enviada por Obama contendo um puxão de orelhas em Lula, porque o presidente brasileiro não anda se comportando bem, anda sendo visto em más companhias (Chávez – o democrata em excesso – e Mahmoud Ahmadinejad – o pacificador – entre outros).

Já não bastassem as preocupações com o falido sistema de saúde americano – pela teimosia de Barack, que não aceita os conselhos de Lula para criar um sistema de saúde quase perfeito como o nosso SUS – agora terá que se preocupar também com as opiniões de “Top-top” sobre a maneira – equivocada – pela qual anda comandando esse pequeno país da América do Norte, os USA.

Como eu sempre digo: eu vou morrer e não vou ver tudo…

Lógica

Num país em que você paga por segurança e tem os maiores índices de criminalidade do mundo. Você paga por saúde e precisa enfrentar filas e esperas – que chegam a meses! –  para qualquer atendimento no sistema público de saúde ou pagar por um plano privado. Você paga por educação e precisa matricular os filhos em escolas particulares para ter uma educação minimamente razoável.

Você paga por estradas e recebe buracos ou – se a estrada é razoável – tem que pagar novamente nos pedágios. Você paga uma das tarifas mais caras de energia elétrica do mundo e recebe como recompensa apagões e oscilações da rede que danificam os seus eletrodomésticos. Você paga impostos de primeiro mundo e recebe tratamento de quinta categoria!

Num país, ou nestepaiz – como gosta de dizer nosso culto presidente – a população – quando instada a se manifestar sobre a qualidade dos serviços prestados pelo estado nas pesquisas – afirma que está vivendo no novo Jardim do Édem, ou que tudo está indo as mil maravilhas. Desculpem-me, mas isso foge de qualquer tentativa racional de entendimento. Eu chego a conclusão de que alguma coisa deve estar errada.

Ou, quem sabe?, não estamos falando de outro país, o país de Alice? Eu vou sair por aí procurando o homem de lata e o coelho…

Administração do Tempo

Em matéria de administração do tempo – entre tantas outras coisas – eu sou uma catástrofe. E quando chega o verão a coisa piora, e piora muito. O calor de Porto Alegre me empurra para as noites. Explico: já sou normalmente tendente a viver mais intensamente nas noites, portanto, um notívago. No verão, quando os dias se tornam praticamente insuportaveis em Porto Alegre, começo a trocá-los pelas noites, durmo durante o dia, acordo de noite, quando a temperatura senão é razoável é suportável.

Uma mistura de calor com uma dose fatal de alta umidade do ar torna o ar de Porto Alegre irrespirável no verão, ao menos para quem está fora de um ambiente com ar condicionado e durante o período de atividade solar. Restam as noites. Mas viver de noite não é uma tarefa das mais simples. Muitas tarefas não podem ser executadas de noite, há que se respeitar a lei do silêncio, o sono dos outros, que não tem a menor culpa da minha insônia nem de ninguém.

Tudo deve ser feito na surdina, com vagar e cuidado. Um simples abrir de porta, girar uma maçaneta, pode provocar o atrito de metais pouco lubrificados e emitir um crééééééééé terrível. Chega a doer, o barulho se amplifica aos ouvidos de quem o provoca na calada da noite. Esse é um tempo de andar com uma lata de óleo lubrificante em spray sempre a mão, pronta para atirar.

Durante as noites a vida pára, congela, hiberna – sei que não são palavras muito apropriadas para descrever a inatividade provocada pelo sono, mas gosto de usar essas expressões gélidas que me trazem a agradável recordação dos dias frios do inverno – você se torna um ermitão, uma alma penada a varar silenciosas e solitárias noites.

Mas não tem jeito. Resta esperar pelo renascimento nos venturosos dias do próximo outono…

A malvada e os bebezinhos

O recente episódio em que uma enfermeira de um hospital gaúcho foi flagrada administrando – sem a competente prescrição médica – calmantes aos bebes do berçário é só mais do mesmo. O assunto ecoou – e não poderia ser de outra forma – como mais um desses fatos que nos atestam o quanto é capaz de atrocidades essa nossa dita humanidade.

Todos se perguntam: – Como é possível que existam pessoas com essa índole? Todos tem razão, é mesmo algo incompreensível e intolerável. O que nem todos perceberam – nem mesmo os que deviam por dever de ofício -, acidental ou intencionalmente,  é como é que alguém que trabalha em uma função de tamanha responsabilidade não sofre a mínima fiscalização de quem quer que seja.

Não há indústria nem qualquer atividade organizada que prescinda da figura de um supervisor, de alguém responsável por um controle de qualidade. Dizem que a enfermeira malvada já praticava – ou suspeitam que praticava – as suas maldades há mais de dois anos. Como foi possível a ela retirar remédios da farmácia do hospital sem prestar contas a ninguém?

Se para cuidar de um parafuso, algo que também é importante, pois pode representar futuramente a segurança de algum equipamento, veículo, máquina,  existe um rígido controle de qualidade, porque a qualidade do trabalho, do serviço que se presta no cuidado de indefesos bebezinhos não requer a mesma atenção? O mesmo apreço?

São essas coisas que me fazem recordar o que dizia Einstein: “Só há duas coisas infinitas no mundo: O universo e a estupidez humana. E, quanto ao infinito, eu ainda não tenho certeza absoluta”.

Nós & Eles

Eu vivo num estado que se gaba de ser politizado, ou um de ser um dos mais do Brasil. E aqui não nasceu, mas floresceu, com vigor inaudito as hostes do Partido dos Trabalhadores. Tivemos várias administrações petistas na capital, uma administração estadual e hoje está presente, como situação ou oposição em vários municípios.

Também somos, a contrário senso, um dos estados, senão o principal, que mais joga duro com a administração federal petista, aqui Lula, o unânime, não tem vida fácil nos pleitos que disputa. E qual será o motivo disso? Não seria lógico que ocorresse o contrário?

A razão é simples, clara, lógica: só sabe do gosto amargo da fel quem já provou uma dose. E nós, gaúchos, já provamos várias doses. Não é que o partido faça más administrações, até que não. Mas é muito difícil conviver com a intemperança, com quem pensa e não admite a controvérsia.

Não é por outra razão que o nosso presidente usa no seu discurso esses pronomes: nós e eles. Eles, no caso, são todos os que não pensam da mesma forma, os que discordam, os que não aderem ao pensamento do caminho único, do partido único. Ser petista é ser mono num mundo plural.

Com a derrocada dos regimes comunistas, os neocomunistas descobriram uma forma alternativa de convivência nos regimes democráticos. Descobriram que é possível viver dos vícios do capitalismo, que gera uma multidão de excluídos, tantos quantos forem os incompetentes. Viver no capitalismo exige muito, não é regime para parasitas, para inaptos.

Floresceu um populismo de ocasião, os regimes passam a pagar, a acolher esses excluídos, não para que sejam incluídos socialmente que se tornem cidadãos aptos, isso não interessa. O regime vive desse vício e curá-lo seria a forma mais certa de matar a galinha dos ovos de ouro. Assim os excluídos são sustentados como massa de manobra, como base para a manutenção “democrática” dos seus governos.

Constantemente os defensores desses populismo gritam ao quatro ventos que só quem não os aprovam é a classe média burra. Estão certos! A classe média é o burro de carga que mantém o sistema funcionando. Paga a conta sem poder chiar. Paga para manter a companheirada instrumentada no poder, paga pelos excluídos, paga por tudo e paga sempre.

Quem pertence ao grupo do “nós” está satisfeito. Ou satisfeito porque usufrui de alguma das muitas mamatas que o poder proporciona aos aliados, satisfeito porque sabe que o sistema – ao melhor estilo Lula – não mexe nos poderosos – os banqueiros que o digam! -, satisfeito porque está recebendo alguma bolsa da vida.

Enganam-se, por exemplo, os que pensam que todos os cubanos estão insatisfeitos com o regime da ilha. O mais importante para muita gente não é fato de ter ou não ter, mas o fato de que se for para não ter, que ninguém tenha. Quem sonha em viver fora da ilha são os mais aptos, os que sabem que fora de lá seriam e teriam muito mais. Os incompetentes, os inaptos vivem felizes lá.

Aprendi desde cedo que muitas vezes quando você estende a mão para tirar alguém do buraco, quem a recebe acaba usando-a para puxá-lo para dentro do buraco. Nosso egoísmo se manifesta em duas vias: pelo desejo de ter mais, ou pelo desejo de que ninguém tenha nada.

E essa é uma equação sem solução. A felicidade não existe.

Pirataria

Fala-se muito em combater a pirataria, nome mais simpático para roubo. Nem adianta tentar contemporizar: pirataria é roubo dos direitos da propriedade intelectual de alguém. Eu também sei! Tem essa história de que os royaltes são caros, de que os impostos idem, mas é só história mesmo, mais alguma coisa para tentar justificar o injustificável. Nós, os brasileiros, somos muito competentes e bom nisso. Sempre temos uma justificativa plausível para os nossos erros.

Ninguém paga imposto porque o governo é incompetente e ladrão – o que nos dá o direito de também sermos. Ninguém é fiel porque todos são infiéis; ninguém se interessa por “temas sérios” porque os políticos são corruptos – mas só os políticos! E que não saíram do nosso meio, mas vieram, quem sabe?, do planeta Marte. Para vencer tudo é justificável, até mão de deus, ética do inferno ou dinheiro da terra.

Você deve pensar que sou um pessimista. E está certo, eu sou. Além disso, também não sirvo para bastião da moral ou para o último perfeito do mundo. Me incluam dentro desses também. Mesmo assim, tenho tentado, até por conveniência – porque na maioria das vezes não acredito na funcionalidade da pirataria, a manter no meu PC um nível razoável de softwares originais.

Sempre que possível – e, creiam!, na maioria das vezes – opto por programas freewares. Exemplifico: As suítes de aplicativos que uso – editores de texto, tabelas, etc – são da plataforma aberta do BrOffice, edito imagens com o Gimp ou com o Photo Scape, compressão/descompressão de arquivos com o 7-Zip. Comprei todos – e reafirmo: todos! – os sistemas operacionais da Microsoft – tenho as licenças de uso desde o Windows 98, passando por ME, XP e agora do Vista 64.

Sabe o que mais me irrita nisso? A única vantagem, a única recompensa que recebo quando tenho que comprar uma nova licença da Microsoft é a minha consciência. Já estou me preparando para desembolsar algumas centenas de reais para adquirir o novo Windows 7…

No horizonte…

Preâmbulo: Quem viveu alguns bons anos nesse nosso planeta já se acostumou a olhar no horizonte e prever o tempo do amanhã. Para isso não se requer nenhuma inteligência ou diligência extraordinária, só a experiência, aquela sucessão de aocntecimentos que vão ficando gravadas na nossa memória.

Alguns, mais pessimistas, afirmam que não há saídas para o nosso país, somos definitivamente, como eu costumo dizer , “o país do futuro do pretérito”. Eu sou mais otimista, não acredito nisso. Aqui mesmo, em Porto Alegre, nós temos a BR-290 e a BR-471, para quem saí por terra, ou o Aeroporto Salgado Filho, para quem se manda de avião. Sempre há uma saída.

Mas esses dois assuntos, que aparentemente podem não ter nada a ver um com outro, ganham sentido, se juntam no horizonte do ano que vem do país. Confesso que já sou bem rodado, para não dizer velho, e sou um dos que podem prever num horizonte futuro os  raios, o temporal, a tempestade que se arma no âmbito federal e estadual (RS).

Temo que seja muito para qualquer um, que seja demais para mim; Dilma lá e Tarso cá, eu fora!