Monthly Archive for October, 2009

O bem e o mal

Diz o refrão popular: “Para que o mal vença basta que o bem se omita”. E esse é o quadro que normalmente enfrentamos na nossa sociedade: a grande maioria se omite em presença do mal. Não é comigo, não tenho nada com isso, não fui, não vi nem ouvi, uma sucessão de negativas para se esquivar ou assumir qualquer tipo de responsabilidade.

Deixamos para que os outros (outros quem?), para que o governo (onde? qual? quem?), para quem de direito, enfim, deixamos para lá… A palavra para isso é omissão. Existe também um sentimento errado: confundimos obrigação de comunicar ou agir diante do que é errado com deleção – e a não delação do que é ilegal, imoral (ou engorda) é estimulada como se fosse algo a ser cultivado e comemorado.

Essa coisa de que existe gente boazinha, bem educada etc e tal é balela. Lamento muito informar, sou um cara viajado, já corri esse mundo e constatei o seguinte: não existe povo ordeiro ou desordeiro, existem os bem policiados e os mal policiados. O que isso quer dizer? Que ninguém (ou a massiva maioria) faz o certo porque é certo, mas por medo de que seja punido por agir mal.

Nos locais onde reina a impunidade e a omissão, o mal, o crime prospera. Como aqui na nossa terra. Aqui onde as leis são pífias, onde a impunidade reina e onde todos se omitem republicanamente. Se os políticos roubam, se os comerciantes sonegam, se alguém agride, rouba, destrói, enfim, sejam quais forem as maldades, só temos uma resposta:  Não tenho nada com isso…

Mudar o disco

Ninguém gosta (alguém?) de ficar escutando o mesmo disco eternamente. É o que acaba ocorrendo com os meus escritos, que, por essa e outras, vão ficando cada vez mais escassos. Acabo não escrevendo na constatação de que os assuntos da agenda nacional são invariáveis.

Passam as gentes, passa o tempo e as nossas expectativas continuam sempre as mesmas: melhor distribuição de renda, mais segurança, melhor educação, menos roubo no governo e na política, menos carnaval, futebol e novelas e mais coisas realmente importantes para o país.

Ah! O mal é que escrevo sobre isso, meus assuntos preferidos são estes, a política, a realidade nacional, a sociedade organizada. Escrevesse sobre abobrinhas e teria um prato transbordante e ameno; infelizmente isso não faz o meu gênero. Não me importa quem casou com quem, quem namorou ou ficou com quem, quem deu para quem.

No futebol sou um espectador eventual. Acompanho muito mais outros esportes que não possuem tantos reis, imperadores, princípes, magos, etc. Para mim boleiro é só um boleiro, nada mais. O negócio é vê-los jogar, não ouvi-los falar; não me interessa minimamente o que eles tem a dizer (e eles dizem alguma coisa útil?).

Um dia isso muda. Talvez quando no dia em que eu resolver mudar de país…

Tempos Difíceis

Vivemos tempos difíceis cá no Brasil. Um tempo manco, perneta, onde o sinistro é ser destro. A vida por aqui pende para a esquerda. Tudo o que é bom não faz mal nem engorda, mas pende para esquerda.

Os lados se dividem entre a bela e inteligente esquerda e a nefasta direita. O grande problema é que aquilo que todos detestam na direita é o que tem feito este mundo andar até agora. Vejam o caso da China, enquanto não abraçou a economia de mercado marcou passo. Um passo esquerdista, sinistro, inútil.

Não houve livrinho de Mao ou filosofia marxista/socialista que fizesse o país andar; foi preciso abraçar a economia de mercado para que as coisas andassem. Não que a China sirva de exemplo para qualquer coisa, não serve. No fundo é uma ditadura oportunista e só.

Não há grande lance, nem grande sacada: o homem só cresce no egoísmo, que o diga o fracasso das fazendas coletivas soviéticas. O grande pecado também é o grande motor do desenvolvimento: o egoísmo, a ganância.

O socialismo/comunismo vive na premissa de que é possível voltar ao Jardim do Éden; não é. Ninguém divide nada a não ser com um fuzil na cabeça. Os casos de Cuba, China, Vietnã e outros não nos deixam mentir.

Faça sua escolha: viva no progresso e no egoísmo ou opte pelo atraso da  igualdade e da falta de liberdade.

Highlander, o guerreiro mortal

Depois de longa convivência, Highlander, um periquito australiano que nos acompanhou nos últimos vinte anos partiu para o paraíso dos pássaros. Ele ganhou esse apelido, Highlander, não pela sua imortalidade, fato agora mais do que provado com a sua trágica morte, mas pelo seu espírito guerreiro.

Na época em que ele se mudou para nossa casa, junto com ele vieram mais três da espécie, formavam um quarteto, dois casais de multicoloridos periquitos (um azul, um verde, um amarelo e um… que não lembro a cor). Pois, por algum motivo qualquer, disputa territorial?, incompatibilidade de gênios?, não sei mesmo dizer, Highlander abateu os três companheiros de gaiola.

Era um solitário, preferiu eliminar a companhia e abraçar a solidão nesses vinte anos. E, pelo jeito, gostava de ser o centro das atenções. Nem se abateu pela falta de companhia, ao contrário! Se é verdade que pássaro feliz canta, ele era feliz, pois cantava alegremente todos os dias.

Tristes ficamos nós sem a sua companhia. Até a vista, Highlander!

Catch

Não é fácil escapar do ardil para quem gosta de polêmica – como eu gosto – e sente-se tentado a cair na pegadinha: dar espaço a quem (pede, mas) não merece. Tem muita gente dessa espécie por ai, estão em todas as esquinas, em todos os espaços que a mídia oferece – e a mídia sempre cai como um patinho nesse ardil. Não é, pois, uma tática furada, sempre funciona e bem.

Os políticos já aprenderam a usar essa tática, para fazer com que os holofotes incomodos da mídia foquem para outro lado, basta levantar (ou inventar?) novos temas. Entre os rumorosos casos sepultos há pouco lembro de José Sarney e mãe Dilma (o que era mesmo que se falava deles?).

Outro expert é nosso ministro do meio-ambiente, um perito no combate ao uso de sacolinhas (ou na polêmica liberação da erva do diabo) enquanto o foco se afasta dos que desmatam milhares de quilômetros quadrados da floresta amazônica.

Não, não vou falar de Fernanda Young e sua fase de fixação peniana…

Penso, logo padeço!

Estava lendo um artigo atribuído ao Arnaldo Jabour. Já vou adjetivando com esse “atribuído” porque há poucas coisas confiáveis nessa internete. Independente da autoria, concordo integralmente com o conteúdo do intitulado “Devo pedir champanhe ou cianureto?” Jabour se declara deprimido diante da nossa realidade.

Mais do que a própria realidade o que realmente deprime é esse “diante”, ou a forma como nos postamos diante dela (realidade). Se é verdade que ela nos atinge de qualquer forma, não o é que todos se postam conscientemente diante dela. A grande verdade é que mergulhar na realidade deprime. Deprime porque afasta qualquer vestígio de falsa esperança que possa subsistir no campo dos sonhos. Nada muda, nunca mudou e não irá mudar em futuro algum. Pensar é doença mortal para qualquer “Pais do Futuro”.

Felizes são os néscios…

É pau puro!

Ando cansado da política. Melhor dito:  ando cansado dos políticos. Ou andarei cansado da nossa espécie? Como alguém que se diz humano pode não combinar com humanidade?

Lamento pelos sonhadores e suas quimeras de volta ao paraíso. Confesso: cheguei a apostar nas mulheres. Elas seriam a nossa chance, uma forma mais afrescalhada – e portanto suave – de ver e agir no mundo. Errei. Foi só mais do mesmo.  A mulher de ontem era um homem sem poder, a de hoje…

Uma amiga me envia um email para me cutucar. Um desses textos apócrifos atribuídos a um famoso. O assunto? O homem e suas traições. Penso que os homens que traem devem fazê-lo com as fêmeas de sua espécie. Ou a traição não depende basicamente de uma outra (mulher)?

Esqueço do homossexualismo e da zoofilia – que talvez justiquem um ou outro caso. Li uma recente pesquisa afirmando que o fato de ser casado aumenta as chances de que qualquer homem seja mais desejado pelas mulheres. Lobo não come lobo? Não falemos, portanto, dos homens. Não é tudo farinha do mesmo saco?

O passado me condena

Ou relembrar é viver: http://domrs.com.br/blog/?p=144

The king of the sweet-black-meat of coconuts

O título acima não foi concebido (nem concedido) por mim, saiu e pertence à cabeça criativa de Millor Fernandes, numa tradução livre para o idioma de Shakespeare da expressão “O Rei da Cocada Preta”, sendo com ela agraciado o nosso Excelentíssimo Presidente, Luiz Antônio da Silva. Se ele – o presidente – não se sente dessa forma, deveria.

E deveria porque, além da expressiva aprovação de seu governo pela tribo local – que pelo nível intelectual da taba não é de nada estranhável – , também é aplaudido como uma das maiores lideranças mundiais – e até por lugares habitados por gente bastante civilizada. Certamente os seus “pa nós” e outras preciosidades linguísticas não pode – a exemplo do título desse artigo – ser traduzido literalmente para qualquer outro idioma.

Em outras palavras, a cultura do nosso excelentíssimo presidente não pode ser aferida assim de relance. Quem vê barba certamente não vê o intelecto. Não vou dizer que ele represente a exaltação do nada, pois alguma coisa o cara tem e faz, não sendo por acaso considerado uma das grandes lideranças mundiais.

De qualquer forma, na falta de qualquer lógica que justique tamanho sucesso o sucesso do torneiro mecânico de Garanhuns no Brasil e no mundo, a questão só pode – talvez – ser respondida no terreno do sobrenatural.