Monthly Archive for September, 2009

Competência

Não gosto e nunca gostei das idéias, dos métodos, da gente, enfim, de tudo que se refere ao (mal)chamado Partido dos Trabalhadores. Apesar disso, não hesito em conceder-lhes absoluta competência na condução da política. Os métodos que empregam tem se revelado capazes de lidar em todas as esferas da lide política, seja como situação, seja como oposição.

Morador do Rio Grande do Sul – uma das terras pioneiras na experiência com Petistas na situação – Prefeitura de Porto Alegre e Governo Estadual, por exemplo, atualmente me é possível traçar um paralelo entre as atuações do partido em nível estadual, onde é oposição – e minoria -, com o Governo Federal, onde é situação – e detém a maioria.

Vejo todas as CPI’s a nível federal serem completamente dizimadas, massacradas, investigações que não investigam nada e levam ao lugar nenhum – todas acabam em pizza. A situação determina e condiciona implacavelmente os passos de todas elas, não se ouve a quem não interessa as hostes governistas, não se investiga nada que possa levar a algum objetivo concreto.

Há pouco assisti atônito a uma reunião na Comissão de Constituição e Justiça na qual a minoria conseguiu – por cochilo da maioria, que não compareceu a uma das sessões – convocar a ex-secretária da Receita Federal para depor no rumuroso caso da misteriosa visita – que desapareceu junto com todos registros – feita a Ministra Chefe  da Casa Civil. Pois mesmo assim, durante a reunião, a oposição praticamente conseguiu esvaziar o assunto tamanho o número de objeções e questões de ordem impostos pelos partidos aliados. Desnecessário seria citar o enorme número de CPI’s no Senado/Câmara que acabaram por não elucidar nada.

A contrário senso, aqui no Estado, onde o Partido é minoria, a oposição consegue conduzir – detendo até mesmo a presidência – a chamada CPI da Corrupção que investiga o Governo Ieda com absoluta competência, obrigando a situação – e sua maioria – a fazer o jogo que lhe interessa. É claro que é contam com o apoio de alguns órgãos – governamentais e da imprensa – nos quais impera uma certa tendência esquerdista conduzida por simpatizantes do partido.

Parabéns ao petistas pela competência na manipulação dos assuntos políticos e da opinião pública.

Paradoxo ou antinomia

Os bancos alegam que praticam a usura como forma de compensação pela existência de maus pagadores. Os maus pagadores alegam que não pagam porque os bancos praticam juros abusivos nos empréstimos, o que os tornam impossíveis de serem pagos.

Eu? Já estou cansado de ver propaganda de banco bonzinho…

The free lunch

Todo mundo já sabe: “There’s no free lunch”, nada é de graça, tudo tem seu custo. Há pouco tempo a ABERT (Associação Brasileira de Rádio e Televisão) alardeava num comercial o oposto dessa máxima. Se autoelogiava, afirmava que “uma televisão aberta, livre e gratuita era uma das grandes conquistas do povo brasileiro”.

Comercial falso. Nossa televisão é aberta e livre, mas não é gratuita. Todo o show é pago por comerciais, comerciais que vendem produtos, produtos que embutem o custo dos comerciais no preço, preço que todos nós pagamos como consumidores. Logo a televisão aberta não é gratuita, é paga.

Eu não preciso de nenhum boneco vestido de dentista para decidir qual a pasta de dentes que devo comprar no Supermercado. Ou de nenhum famoso ou famosa para ajudar a me decidir por uma determinada marca de sabonete. Dispenso a ajuda, numa boa.

Os comerciais massacram. Inclusive esse da ABERT que nos tira por idiotas.

O pré-sal

Estamos eleitoralmente discutindo o sal sem ter o sal. Estamos na fase do pré, na fase em que contamos com o ovo, bem vocês sabem onde. Numa das tantas discussões sobre o tema ouvi uma frase lapidar: “A idade das pedras não terminou pela falta de pedras”. Estou certo de que a idade do petróleo não terminará pela falta de petróleo, mas pela possibilidade de que a falta venha a ocorrer.

Nesse mundo é tudo uma questão de quando e quanto. Nossa geração desenvolveu-se no século passado mediante a exploração e utilização do petróleo. O combustível era abundante, barato e – naquela ocasião – o ambiente que se danasse, havia muito ar puro, muito verde e muita lenha para queimar. Hoje a história é diferente. Não há abundância de nada, ao contrário, há carência de tudo: falta óleo e falta clima para um novo ciclo do petróleo.

Hoje um grande navio necessita se abastecer de milhares de barris de óleo para cruzar um oceano, enquanto que ao seu lado um porta-aviões precisa de menos do que um barril de combustível núclear para se abastacer por quase um ano. Os motores com combustíveis alternativos estão sendo continuamente testados na indústria, quem dúvida de um novo modelo nos próximos anos?

Enquanto isso estamos discutindo de quem será o ovo…

Quixotesco

Minha velhice me decepciona. Esperava que as veneraveis cãs me concedessem o dom da tolerância, qualidade necessária – quase indispensável – aos velhos. Tudo aquilo que não dá, tudo o que não se pode, tudo o que nos foge pela falta de dotes fisícos deve ser compensado pela iluminura, pela sensatez que nos ensina a tolerar a tudo e a todos – principalmente a nós mesmos.

Tolerância muito mais necessária para quem vive em países do segundo e terceiro mundo, principalmente quando governados por “painhos”, por auto-intitulados salvadores da pátria que tanto florescem no seio das suas populações ignaras.

Infelizmente, a contrário senso, os anos somente me acuraram meu senso mordaz, a intolerância, a falta de paciência. Resultado? Vivo num permanente estado de mau-humor, numa inoportuna ressaca de quem só curte os efeitos do depois – sem o consequente prazer do antes.

Pior de tudo! Fica o sentido sem sentido, o ato de repúdio inconsequente, danoso e penoso. Um mal sem saída, um bem impossível, um luto sem falecido. Para mim, meus pesâmes.