Monthly Archive for May, 2009

Sabedoria

Diz a conhecida Oração da Sabedoria:

“Deus me dê serenidade para aceitar as coisas que não posso mudar, coragem para modificar aquelas que podem ser mudadas e sabedoria para reconhecer a diferença. God grant me the serenity to accept the things I cannot change; courage to change the things I can; and wisdom to know the difference. (The Serenity Prayer – Reinhold Niebuhr).”

Pois bem, segundo essa oração, está me faltando tudo: serenidade para aceitar o que não posso mudar, coragem para mudar o que eu poderia mudar e – principalmente! – sabedoria para reconhecer a diferença.

Ouvi a Ministra Chefe da Casa Civil do Governo Federal, mãe Dilma, justificar o projeto das propinas oficiais a serem pagas aos funcionários públicos que se empenharem para que as obras político-eleitoreiras do PAC fiquem prontas antes da campanha de 2010.

Dito assim, tudo bem. Para quem pensa – e poucos pensam nesse país – a frase é um achincalhe com o governo e com o povo. A ministra reconhece várias coisas: que o funcionalismo federal é mal pago; que é ineficiente; corrupto e que o governo não está minimamente interessado em prestar um serviço público de qualidade, mas na eleição de 2010.

O primarismo filosófico de mãe Dilma faz juz ao do seu chefe – para quem a saúde no país é quase perfeita. Mãe Dilma deve concordar, agora mesmo, vejo ambulâncias aéreas e todo um aparato governamental colocado a sua disposição para o seu tratamento, coisa que qualquer comum do povo sabe que tem a sua disposição quando procura as unidades do SUS.

E eu fico falando nessas coisas. Eu já deveria tê-las aceitado serenamente. Coisa de quem é pouco inteligente.

Verdades

Um episódio ocorrido no Senado Federal (mais um!) essa semana me lembrou o famoso personagem de Chico Anísio: o deputado “Justo Veríssimo”, figura que se tornou conhecida pelo bordão: “Eu quero que o povo se exploda”. Parafraseando a figura criado pelo comediante, o deputado federal Sérgio Moraes do PTB do  Rio Grande do Sul, que perguntado sobre uma eventual repercussão negativa pela posição – como relator do processo – de defesa aberta do investigado (o deputado senhor feudal – dono do castelo em Minas Gerais), respondeu que ”se lixa” para a opinião popular.

Mais tarde quis voltar atrás, com a alegação de que tem o estopim curto e falou sem pensar, mas o mal – ou a verdade – já estava escrita na história. O pior de todo esse episódio não é a ofensa disparada pelo deputado, que acusou nosso povo de ser formado por uma multidão de carneiros acomodados e desinformados, o pior é que falou a mais pura verdade.

A verdade contida na afirmação do parlamentar encontra respaldo na reiterada presença de figuras que não saem do cenário nacional, por mais trapalhadas e falcatruas que pratiquem, o povo continua “cordeiramente” os reelegendo para as diversas representaões parlamentares.

Não é diferente da situação que encontramos quando, apesar dos péssimos serviços prestados a população, a massa continua respondendo às pesquizas dizendo que o governo é bom ou ótimo. Se é verdade que cada povo tem o governo que merece – nós não merecemos mais do que essa porcaria que está aí.