Remar contra a maré não é tarefa para qualquer um, a maioria se contenta em navegar na correnteza. A analogia vale para quem discorda do pensamento dominante, para quem tem uma opinião que vai contra a opinião geral.
Pois esse foi o caso do economista turco Nouriel Roubini, uma voz que clamava no deserto contra os fundamentos economicos adotados pela maioria dos países, e que previu essa crise gigantesca que estamos atravessando.
Talvez se deva dar maior importância à Roubini, não pelo que acertou, mas pelo que acaba de prever: segundo ele a crise está muito longe de chegar ao fundo do poço. Ao contrário do que prevem alguns entendidos, Roubini entende que ela vá se agravar ainda mais.
Não tenho qualificação na área, mas é fácil saber que não é pelo aumento do crédito que vai se resolver essa crise de confiança baseada justamente no crédito de alto risco. Vejo todo mundo falar em aumentar o crédito para alavancar a economia. Eu vejo é falta de poder aquisitivo e estímulo irresponsável ao consumo.
Dar dinheiro para quem não irá poder pagar no futuro é mais do que roleta russa, é suicídio. É viável manter a indústria automobilistica viva pelo aumento do prazo nos empréstimos? Ou qualquer outro segmento? O mundo vive o drama da falta de distribuição adequada das riquezas e, devido a ela, falta de capacidade de consumo.
Os americanos alimentaram essa bolha durante anos – e sabiam o que estavam fazendo! – com os empréstimos imobiliários. Aqui no Brasil se faz o mesmo vendendo carros em 84 meses, emprestando dinheiro para desconto em folha de pagamento, dando cartão de crédito para qualquer um, etc.
Todas medidas desse tipo não passam de atitudes desesperadas e que não resolvem nada no fundamento, só empurram o estouro inevitável para o amanhã. E não precisa ser um mago ou um Roubini para prever isso. Quem viver verá!