Monthly Archive for January, 2009

Remando contra a maré

Remar contra a maré não é tarefa para qualquer um, a maioria se contenta em navegar na correnteza. A analogia vale para quem discorda do pensamento dominante, para quem tem uma opinião que vai contra a opinião geral.

Pois esse foi o caso do economista turco Nouriel Roubini, uma voz que clamava no deserto contra os fundamentos economicos adotados pela maioria dos países, e que previu essa crise gigantesca que estamos atravessando. 

Talvez se deva dar maior importância à Roubini, não pelo que acertou, mas pelo que acaba de prever: segundo ele a crise está muito longe de chegar ao fundo do poço. Ao contrário do que prevem alguns entendidos, Roubini entende que ela vá se agravar ainda mais.

Não tenho qualificação na área, mas é fácil saber que não é pelo aumento do crédito que vai se resolver essa crise de confiança baseada justamente no crédito de alto risco. Vejo todo mundo falar em aumentar o crédito para alavancar a economia. Eu vejo é falta de poder aquisitivo e estímulo irresponsável ao consumo.

Dar dinheiro para quem não irá poder pagar no futuro é mais do que roleta russa, é suicídio. É viável manter a indústria automobilistica viva pelo aumento do prazo nos empréstimos? Ou qualquer outro segmento? O mundo vive o drama da falta de distribuição adequada das riquezas e, devido a ela, falta de capacidade de consumo.

Os americanos alimentaram essa bolha durante anos – e sabiam o que estavam fazendo! – com os empréstimos imobiliários. Aqui no Brasil se faz o mesmo vendendo carros em 84 meses, emprestando dinheiro para desconto em folha de pagamento, dando cartão de crédito para qualquer um, etc.

Todas medidas desse tipo não passam de atitudes desesperadas e que não resolvem nada no fundamento, só empurram o estouro inevitável para o amanhã. E não precisa ser um mago ou um Roubini para prever isso. Quem viver verá!

Gotas Preciosas

Gotas Preciosas era (ou ainda é) o nome de um medicamento fitoterápico fabricado pelo Laboratório Hertz de Porto Alegre/RS. O nome do produto é uma grande sacada: associa aquela ideia de que “os grandes perfumes vem em pequenos frascos” com a ideia de “precioso” – coisa de valor e útil, de grande importância.

Se fosse para escolher um antônimo para a expressão eu optaria por “aos baldes”, para dar aideia de alguma coisa que se obtém em grande quantidade e, por isso mesmo, sem um grande valor. Eu usaria a ideia de balde para se contrapor à de gota.

Vivemos numa época em que as notícias não vem em gotas, mas em baldes, pela necessidade de preencher a pauta dos noticiários com material jornalístico. Não sou jornalista, nem ao menos conheço a matéria, mas acompanhando qualquer espécie de jornal noto que o conceito do que seja matéria jornalística anda muito amplo.

Jornais televisivos e que permanecem 24 horas no ar, são obrigados a “cavar” notícias para os noticiários que se repetem a cada hora. Não existem fatos, mesmo transpondo todas as barreiras geográficas, que dê conta do recado. Resultado: um garoto que se perdeu da mãe num shoping doCazaquistão vira manchete aqui.

São milhões - e são literalmente milhões! – de sites na Internet se encarregam de espalhar as notícias ao redor do mundo. Hoje o que acontece no bairro, na rua já vira notícia instantaneamente e, não demorará muito , para que os acontecimentos de cada casa também se tornarem.

A grande notícia é que as notícias perderam a relevância, qualquer fato corriqueiro – bobagens! – e trivial está parando nas manchetes. Os fatos de alguma relevância passam a ser repetidos à exaustão, as manchetes tradicionais nem se fala. Esse é o caso típico do exagero, quando o mais é acaba sendo menos.

Para quem não tem méritos

Essa onda de mudanças políticas na América do Sul, que indicam um quadro de marcha para as ditaduras do proletariado – comunismo ou qualquer outro desses supostos regimes democráticos que tendem a imortalizar seus ditadores no poder -, preocupam.

Elas cumprem o principal fundamento do regime democrático, pois são mudanças que tem o aval da maioria da população. Entende-se, debruçados no principal problema do capitalismo – sua incapacidade de retirar todos da miséria – o povo passa a desejar a sua sociabilização, um atrativo para quem nada tem.

Infelizmente funcionamos dessa maneira: o fato de não termos nada só é problema se o nosso vizinho tem alguma coisa. Se somos todos igualitariamente miseráveis, tudo bem. Na verdade sabemos que não é exatamente assim, a mudança só se dá na elite dominante: saem os capitalistas e entram os membros da elite do partido.

A única diferença entre os regimes é a mobilidade: uma vez miserável no comunismo, sempre miserável. Mas essa é uma perspectiva que parece não preocupar os eternos perdedores idealistas da igualitária miséria comunista, os regimes capitalistas premiam a capacidade e isso faz toda a diferença entre vencedores e perdedores.

Baixando a Guarda

Barack Obama começou a cumprir as suas promessas de campanha. Uma das primeiras foi anunciar a desativação do campo de prisioneiros em Guatanamo. A medida também incluiu a desativação das prisões em outros locais do mundo, todos fora do Estados Unidos.

Não há como negar que essa era uma medida muito aguardade, mas é preciso considerar que há um grande perigo na adoção de uma política mais amena no combate ao terror: os americanos do norte podem sofrer um novo ataque terrorista.

Fruto da política truculenta de George W. Bush, queiram ou não seus detratores, foi possível deter os ataques terroristas contra o país. Basta constatar que, depois do terrível 11/9 – quando a américa do norte foi pega de surpresa, nenhum outro grave ataque foi perpetrado contra os americanos.

Imaginem qual seria a repercussão que um novo ataque terrorista teria para Obama e sua política de jogar flores? Se de um lado há um certo comprometimento do terrorismo com a nova política, ela também lembra a fábula do escorpião e do sapo – e sua recusa de ajudá-lo a cruzar o rio.

Obama passa a correr esse risco de guarda baixa e, como se sabe, os golpes recebidos assim tendem a levar ao nocaute.

A verdade e os números

Como entender os números da nossa economia? Nunca vi tão confusa e – parece – intencionalmente manipulada profusão de números estatísticos! Não devo ser o único que li uma grande quantidade de manchetes informando sobre uma crescente e preocupante desaceleração industrial no país com reflexos imediatos no emprego.  

Noticiava-se preocupantes sinais da chegada da crise econômica mundial ao país, de sucessivas demissões na indústria e no setor de serviços, como se lia, por exemplo, numa das várias manchetes do dia 20.01.2009: “Aumenta desemprego no Brasil – Foi o pior resultado dos últimos 10 anos. Em Dezembro, 654 mil trabalhadores perderam o emprego no país. Mais de 40% das demissões foram na indústria”.

Compare agora com a manchete publicada hoje – 22.01.2009 -, dois dias depois da anterior: “Desemprego em Dezembro foi o menor desde 2002, diz o IBGE”. E aí? Com que manchete ficamos? Qual das duas é a notícia mentirosa? Não há lógica que possa sustentar que essas duas informações possam ser verdadeiras, ou há?

Segundo os “entendidos” não há contradição, mas uma simples divergência no método de avaliação do desemprego. Ah é! Achei que o número de desempregados refletisse o número de trabalhadores que perderam os seus empregos, ou há entendimento diferente desse?

Querem saber? Eu acho que há uma má fé explicita, que há uma clara intenção de mascarar a gravidade da crise, um número para justificar o resfriado de mãe Dilma, o Brasil de quatro de Mantega e a marolinha do Luiz Inácio, um forma de enganar o povo ocultando uma notícia ruim.

Aliás, depois de vários atritos entre o governo e o IBGE, parece que a paz foi obtida mediante a submissão do teimoso Instituto e seus números desagradáveis. Como dizem os defensores dos regimes autoritários: “se a realidade desmente a nossa verdade, pior para a realidade”.

Eu digo, parafraseando Galileu Galilei: “Eppur se muove!”

Obama e a história

O exagero no louvor ao novo presidente dos Estados Unidos da América é evidente. Comparações com Abraham Lincoln and Franklin Roosevelt são mais do que absurdos, não por alguma suposta incompetência de Obama, mas pela suposta competência.
Digo suposta porque não há como aferir a capacidade do novo presidente de lidar com o affair governamental sem um único dia no exercício efetivo do cargo. Lembrem de Bush, o George Walker, que chegou a ser comparado a Lincoln logo após o 11/9.
Ah, os discursos! Mas os discursos aceitam tudo, e tudo sempre é mais fácil de resolver nos discursos. Os analistas superdimensionam um governo que sequer começou. Confundem torcida e esperança com realidade. Certo, é preciso despertar a vontade e a confiança da população, mas não é preciso exagerar com comparações apressadas e sem base fática para um julgamento.
Não raro o julgamento – pelo menos o julgamento justo – de um mandato governamental só vem muito tempo depois que o titular deixou o cargo. Quantos governantes foram injustiçados por julgamentos precoces para serem justiçados depois? O mesmo vale no sentido oposto. Julgar um governo sem que ao menos tenha iniciado é injusto.
A história não permite que se faça história antes de decorrido o tempo que transforma um fato em história – lógico, não é mesmo?

Pai Obama

Essa tendência de depositar nas pessoas – e não nas instituições – todas as esperanças, ao contrário do que qualquer brasileiro ou muitos possam pensar, não é brasileira, mas mundial. A posse de Obama na próxima terça-feira 20 de janeiro é esperada pelo povo como a chegada de um “painho” ao poder.

Querer creditar no poder de uma só pessoa todo o sucesso ou o fracasso de uma administração é desconhecer os meandros do poder. Mesmo no caso de George Bush, o tão propalado e estrondoso fracasso do seu governo, não é obra de uma pessoa só, a administração Bush é maior do que ele próprio. Para personalizar esse fracasso seria necessário que todas as decisões do seu governo fossem pessoais e sem estarem sujeitas a intervenção de conselheiros, a validação dos membros do seu partido.

Não é o caso, todos sabem que além das forças legais e legítimas que influenciam um governo, há o poder econômico, o poder da opinião pública e da mídia que se manifesta através dessa opinião. Há até as chamadas consciências pardas, gente que possui um poder não bem esclarecido, mas que são capazes de influenciar as decisões do líder de qualquer governo.

Por isso é que é infantil querer acreditar que Barack Obama – e somente ele – pode ser capaz de corrigir e acertar tudo o que há para ser corrigido e acertado. Além do mais, há que se reconhecer a existência do possível e do impossível e, cuja diferença, como nos ensina o dito popular, constitui a sabedoria.

Eu gostaria que Obama acertasse, para bem dos norte-americanos e para o bem do mundo. Não há como negar a liderança e a importância dos EUA no cenário mundial. Torcer pelo seu fracasso, mais do que um posição ideológia, é tão desinteligente quanto torcer para que o barco em que todos estamos embarcados afunde.

Boa sorte Obama!

Yes, We can almost everything!

Essa nova onda, a Obamania, que vem exaltando um futuro governo norte-americano e que até o momento – e como era o esperado – só está tratando de formar a sua equipe administrativa, é mais fruto do esgotamento e da aversão crescente ao atual governo de George Bush do que qualquer mudança efetiva que tenha ocorrido.
Esse excesso de expectativa no sucesso – ou a urgência desse sucesso – do futuro governo aumenta muito a pressão sobre Obama, apressando a adoção de medidas corretivas nos dois principais problemas que o país vem enfrentando:  os desvios na política econômica e na política de relações internacionais do país.
Embora o bom senso recomende que não se deve esperar milagre de quem não é santo, nessas horas de crise todos tendem a esquecer os mandamentos da razão e do juízo. Depositando fundadas e infundadas esperanças numa mudança mágica, norte-americanos e não ianques esperam por São Barack.
Dizem que quanto maior o pedestal, maior o tombo. Se a responsabilidade ao erigir tão alto grau de espectativa não é só de Obama, o seu lema vitorioso, o positivismo contido no “Yes, We can!” acendeu o desejo e acenou para o povo com a possibilidade de que tudo é possível. Acreditar na impossibilidade do impossível é o primeiro passo para a decepção.
Uma outra face da moeda é a realidade de que nem tudo é possível a um presidente, isso porque, independente da sua vontade, existem forças maiores e mais fortes do que o poder presidencial. Querer não acreditar nisso é acreditar em contos de fadas. São famosos os fracassos e os desastres dos presidentes que quiseram mandar mais do que podiam ou deveriam…
Todos anseiam e esperam pelas mudanças, mas o próprio Obama já tem alertado que “nem tudo será fácil, nem tudo será imediato, só bastou afirmar o óbvio, nem tudo será possível. Seu verdadeiro lema deveria ser “Yes, We can almost everything!”.

Ficar ficando ou ficar partindo?

Estranha essa nova gíria, um ficar que quer dizer partir, um ficar que quer dizer que não ninguém está disposto a ficar. Sou do tempo em que a única que se esperava dos que ficavam era que ficassem. Vejo as garotas falarem com orgulho de que não namoram qualquer um, que são muito seletivas. Ótimo! O único problema é que essas mesmas garotas ficam com qualquer um; qual a lógica disso? Não namorar qualquer um é se preservar; ficar com qualquer um também?

No meu tempo era diferente: as garotas sérias namoravam; as garotas fáceis e fúteis ficavam. Namorar era um compromisso, assim quem namorava selecionava o parceiro ou a parceira com quem ia namorar – era um procedimento ajuizado; ficar era um descompromisso, era um casinho sem compromisso, era um transar e um adeus para nunca mais.

Muitas transas inconseqüêntes não acrescentavam pontos no currículo de qualquer garota; ao contrário, eram pontos negativos para qualquer uma, tornava qualquer garota pertencente ao grupo das que “davam para qualquer um”. Não pense que este é um foco exclusivamente machista – embora fosse assim que os machistas pensassem. Eu sempre pensei diferente, sempre achei que, homem ou mulher, sexo era algo para ser curtido entre quem se conhecia, entre quem se gostava, era um plus nesse gostar.

Eu vi a opinião de um blogueiro que se acha a última bolacha do pacote dizendo que para ele, existem as amigas, e existem as mulheres que “são comíveis”, apresentando como vantagem “não comer as amigas”, Eu responderia com a piada aquela: Se não me come, e não me chama de meu pedaço, afinal, serve mesmo para o quê?

Afora a brincadeira, não gosto de divisão nenhuma; até entendi o que o cara escreveu, mas não gosto nem de divisões ou rótulos, nada dessas e daquelas, nessas coisas o mais bonito é quando acontece sem planos ou coisas do tipo.

Chuvas e outras catástrofes

Aquecimento global ou ciclos climáticos? Confesso que não sei qual o motivo, mas a verdade é que o clima já causou mais estragos nos últimos anos do que todas as guerras. Ciclones, tufões, temporais e todo o tipo de cataclismos relacionados com o clima tem castigado inclementemente o planeta.

Aqui no Brasil um ciclo de temporais e enchentes se abateu sobre vários estados fazendo vítimas e provocando verdadeiras catástrofes na economia. Qual a causa? Nos últimos tempos os cientistas se dividiram, um grupo que acredita serem as mudanças climáticas fruto de agressões ao meio ambiente e um outro que entende que tudo faz parte de ciclos climáticos.

O fato é que, nesses tempos de mundo globalizado, nada é mais cruel do que essas consequências da agressão ao meio ambiente: o crime é cometido no chamado primeiro mundo e quem sofre o castigo é o terceiro. O aquecimento global, o buraco na camada de ozônio afeta os polos, derrete os glaciais e provoca as enchentes.

Quem não se assusta quando ouve da boca de cientistas a razão pela qual não há motivo para alarde: quando o nosso planeta se tornar inabitável, dizem eles, já estaremos em condições de habitar outro…