Monthly Archive for December, 2008

Hipocrisia

As notícias reclamando da soltura dos matadores do jornalista Tim Lopes, em cumprimento a lei que determina a progressão das penas é, para dizer o mínimo, uma tremenda hipocrisia. Não entro no mérito do caso em si, mas ter que aturar os jornalistas reclamando corporativamente quando se sabe que morrem 50.000 pessoas por ano no Brasil vitimadas por homicidios é incompreensível.

Por que não reclamam dos matadores das outras vítimas? Quem são esses outros 49.999 anônimos? Os matadores desse anônimos não merecem penas mais severas? Sou daqueles que acham – comparando as penas que são aplicadas aos outros homicidas  -um exagero a extensão das penas aplicadas ao homicidas de Tim Lopes, e fruto da pressão da Rede Globo.

Democracia é o governo de todos e para todos. Sem privilégios, sem exceções!

Insolência Judaica

O conflito palestino/israelense na Faixa de Gaza é uma típica guerra de guerrilhas, tipo de confronto adotado quando se confrontam forças de capacidade desiguais. Os guerrilheiros do grupo terrorista palestino Hamas não possem recursos materiais e humanos com capacidade de enfrentar o forte e bem equipado exército israelense.

 

A guerra de guerrilhas adota algumas estratégias para fazer frente a um inimigo superior: não parte para um confronto aberto, as ações normalmente são do tipo agredir e ocultar-se; usa a população civil como escudo; usa as vitímas ocorridas entre a população civil como um argumento de propaganda para causa tentando ganhar a simpatia mundial.

 

Os Estados Unidos não perderam a Guerra contra o Vietnã para os vietcongs, mas para a mídia, para a opinião pública. Os vietcongs sabiam muito bem como usar esse recurso, como, atualmente, o grupo Hamas está usando. Nessa tática, os guerrilheiros atacam com o objetivo de serem atacados; forçando uma resposta que fará com que clamem por justiça.

 

Quem ouve o líder do Hamas falar, dizendo que não há possibilidade de um diálogo com Israel, imagina que a provocação parte dos israelenses; ele espera que o povo judeu responda aos ataques com os foguetes Hasan jogando flores sobre a Faixa de Gaza, ou que fiquem aguardando pacificamente pelo próximo foguete. Afinal de contas, como reza o próprio estatuto de criação do Hamas, a sua prioridade é a destruição do Estado Judeu.

 

Realmente os judeus são muito insolentes! Vejam só! Se acham com o direito de lutar para continuar existindo!

Contando Pedras

Os edênicos – aqueles que sonham com um novo paraíso terrestre – acreditam que o conflito entre os países se resolve contando pedras. Explico: quando alguém atira pedras no telhado do vizinho, o atingido deve contar o número de pedras – e avaliar o seu tamanho. Deverá responder, preferencialmente e se possível, com as mesmas pedras, ou com pedras idênticas as recebidas no telhado.
 
Essa providência visa atender o sentimento de justiça absoluta nutrido pelos edênicos, dentro de um principio universal chamado de “resposta igual e proporcional”. Vejo alguns problemas na solução apontada: – e como fica a necessidade de atingir o mesmo ponto em que foi atingido? – e se os telhados tiverem resistência diferente? Um pode quebrar e o outro não? Nesse caso seria lícito aumentar o tamanho da pedra para produzir o mesmo dano?
 
O interessante de se notar é que os edênicos só se preocupam com essa reação igual e proporcional, nunca procuram uma solução que passe por censurar quem atirou a primeira pedra – sem a qual não haveria necessidade de reações iguais e proporcionais! Os edênicos também tendem a demonstrar um sentimento pouco paradisíaco e recomendável de parcialidade nesse tipo de questão – que feio!
 
Esse sentimento é o mesmo que vê “casualidades” nas vítimas de um lado e “pobres e inocentes covardemente atingidos” no outro. Shame on you, endêmicos! 

Injustiças do Politicamente Correto

 
Todos sabem que a nossa legislação penal é frouxa e ineficiente. Frutos dos ares libertários da Constituição Cidadã de 1988, todo o arcabouço penal do estado se tornou frouxo e ineficiente, seja para condenar os praticantes de qualquer ato infracional penal, seja no momento do cumprimento das penas.

Baseada numa filosofia (errada!) de que qualquer desvirtuamento no comportamento do cidadão é o fruto resultante de um problema social, adotamos um pensamento que eu chamo de “coitadização do marginal” – que se opõe à realidade de coitadização da vítima. Quem não sabe que existem alguns crimes que são fruto de um comportamento criminoso independente de situação social? Como classificar o chamado “crime do colarinho branco? É um problema social?

O interessante é ver quando o sistema se defronta com a libertação de alguém que usufruiu da fraqueza do sistema penal, mas que afronta o pensamento do “politicamente correto”, quando o estado – leia-se o pensamento político esquerdizante – pretende o punimento e enfrenta o seu próprio veneno – a “coitadização” do marginal.

Os casos são variados e bem conhecidos: o massacre durante a invasão do Carandirú, Eldorado dos Carajás e a morte da missionária Dorothy Stang, isso só para citar alguns casos. Quando a justiça absolve esse tipo de criminoso as vozes do politicamente correto se levantam! Como é que pode? Quanta injustiça?

O que se vê nesses casos é a repetição dos julgamentos até que se obtenha um resultado considerado “mais aceitável”. Eu pergunto: e nos outros casos, quando não há uma conotação política envolvida? As vítimas são menos vítimas? Parentes e amigos sofrem menos? Como aceitar esse comportamento hipócrita?

Feliz Natal!

Desejo a todos um feliz natal e um ano de 2009 repleto de saúde e sucesso!

Je vous souhaite à tous un très joyeux Noel et que l’année de 2009 c’est plein de santé et de succès ! 

I wish you all merry christmas and happy new

Le deseo Feliz Navidad y Feliz Año Nuevo, con salud y de éxito!

 

A validade do Natal

Estava pensando na validade de ainda se comemorar o Natal nos dias de hoje. Assistindo a várias iniciativas solidárias descubro que, mesmo que essa seja uma comemoração – como as demais também o são – datada, ou seja, que só vale para o dia, ainda assim ela é válida.

Qual a vantagem de não celebrar a data? Não vejo nenhuma, mesmo que o real sentido tenha se alterado e o dia tenha esse apelo comercial do presentear. Mesmo sem lembrar que celebramos o nascimento do Menino Jesus, e que esse hábito de trocar presentes lembra as oferendas dos Reis Magos ao Salvador, ainda assim a data é um apelo à solidariedade.

Por um dia, por algumas horas, a data nos lembra dos nossos semelhantes, dos mais pobres e necessitados e isso já é bastante. Não é o suficiente, sabemos, mas essas horas sempre serão melhores do que nunca. 

Irresponsabilidade

De tempos em tempos a imprensa noticia alguma tragédia – normalmente com a ocorrência de alguma vítima fatal – em eventos destinados ao publico jovem. Esses tipos de eventos são festas bem conhecidos pela moçada: micaretas, raves, e recentemente até um “cruzeiro marítimo jovem”.
 
São eventos muito populares e conhecidos por uma característica: ninguém monitora ninguém, a liberdade é total para os jovens fazerem o que bem entendem. O objetivo único dos organizadores é o lucro fácil (que normalmente é grande). A presença de seguranças é só para evitar brigas ou arruaças, mas a orientação é não interferir no comportamento dos participantes.
 
O resultado é óbvio: embalados por muita droga e álcool o comportamento, quase geral, é um convite ao abuso e a irresponsabilidade. Não há monitores, não há censores, vale tudo.
 
Quando a tragédia acontece, e os pais lamentam a perda precoce de um filho, cabe perguntar: eles não sabiam em que tipo de festa seus filhos estavam? Ou que nesse tipo de festa costumam acontecer tragédias desse tipo? O resultado não é de todo inesperado ou impossível de ser previsto, é tudo uma questão de sorte – ou azar -, uma verdadeira loteria da morte.  

Espírito Natalino

Este não é um post novo, é coisa velha. Mas isso não lhe retira a atualidade, ele não é um post datado, não tem data de validade, continua tão atual quanto era na data em que foi publicado. Não mudou o natal, e também não mudou o meu espírito, continuo pensando da mesma forma. Não sei se isso é coisa boa ou ruim, talvez eu devesse ter melhorado, já que esperar alguma mudança quanto ao clima da festa é impossível.
 
Dingo o béu o… Confesso que últimamente o meu espírito natalino anda abaixo da crítica. Devo confessar que fui – por mea culpa – uma vítima constante do comércio, um consumista voraz, sempre endividado, sempre, como se diz “correndo atrás da máquina”. Não vou, pois, protestar inocência, nem isenção para tratar desse tema. E se começo dizendo isso, em nome da honestidade de propósitos, devo dizer que o meu modo de pensar quanto ao resto é isento. Se você prestou bem atenção ao tempo verbal da confissão, dever ter percebido o tempo no passado no “fui”, ou seja, não sou mais, no meu presente estou livre e curado desse consumismo.
 
Quem assiste aos comerciais da televisão nessa época do ano, pode ver aquela enxurrada de propagandas com criancinhas, musiquinhas, cãezinhos, vendendo mensagens de caridade e de fraternidade – para na realidade vender algum produto ou para tentar suavizar a imagem vampiresca de algum tipo de organização que se escondem por detrás da aparente bondade: bancos, financeiras, etc. Gente que costuma ir na jugular dos consumidores, gente implacável, gente que pratica usura declarada e agora querem se passar por bonzinhos e fraternos. Querem saber? Isso enche o saco de qualquer um!
 
A verdadeira mensagem do natal está escondida, oculta, ninguém sabe, ninguém viu. Até porque não resolve ser bonzinho e caridoso durante um dia do ano, nesses famosos dias dos, dias das. Lembrar-se de alguém só num dia, só numa data? Acho que é para isso – além do comércio – que existem as datas, não fossem elas e muitos não lembrariam nunca das mães, dos pais, namoradas, avós, amigos, etc.
 
Deixo a minha mensagem no sentido de que cada um viva o natal durante todos os dias do ano.

Os dois burros

De um lado o governo corta impostos, conclama empresários a baixar os preços e a população a continuar consumindo para enfrentar essa crise que afeta a economia mundial. O presidente discursa numa ladainha infantil – mas lógica! – de que: se não houver consumo, não haverá venda nem haverá produção e, como conseqüência teremos o desemprego e a recessão.

 

A mensagem para mim é clara: é preciso consumir para manter a economia ativa afastando o risco iminente da crise do mercado. Entendi errado? Ou é esse mesmo o conteúdo da mensagem? Se entendi da forma correta, como é possível entender essa política de manutenção dos juros do Comite de Política Monetário do Banco Central?

 

Num dia em que os EUA anunciam uma taxa anual de 0,25% (é isso mesmo! zero ponto vinte e cinco por cento ao ano!), nosso país continua com uma taxa de 13,75% ano ano, acho que é a maior taxa de juros do mundo e com o propósito declarado de conter o consumo?!?!?!

 

Vocês conhecem aquela imagem dos dois burros amarrados que tentam comer capim um na direção oposta do outro? O resultado é óbvio: nenhum dos dois consegue comer o capim. Pois é, enquanto o governo concede incentivos para aumentar o consumo (um burro puxando numa direção!), o Banco Central mantém esses juros absurdos para conter o consumo (o outro burro puxando na direção oposta!). Alguém entende esse tipo de política monetária “experta”?

 

Espertos são esses, que continuam alimentando a pão-de-ló o sistema financeiro nacional à custa dos impostos do povo. Depois o nosso “esperto povo aprova esse governo com 84%”, sabem de uma coisa? Nós merecemos…

Os Caretas

Eu sempre digo que o duro é ser careta, ser louco é fácil. A maioria tende a valorizar a loucura, achando que o fato de ser diferente é uma qualidade, eu discordo, acho que o verdadeiro heroísmo está nos responsáveis, nos cônscios dos seus vários deveres.

Qual a vantagem de viver para quebrar as regras que fazem com que todos possam viver em harmonia? Muitos irão contestar dizendo que quebrar regras injustas é um ato de heroísmo. Não discordo, mas a maioria dos atos de rebeldia não são perpetuados contra regras injustas, mas contra qualquer regra.

Esse elogio da anarquia é muito romântico e nada prático. Não há como se viver num estado anárquico. O mais das vezes esses que tentam conspirar contra a ordem se valem da própria ordem para fazê-lo. É muito bom ser do contra quando existe um bando de “caretas” dedicados à manter a máquina funcionando. Gente que se veste, come, e tem a saúde e a segurança preservadas pelos “caretas” conservadores.

Estava vendo há pouco uma jornalista comentando que Madonna faz sucesso porque não há diferença entre a cidadã e a artista. A artista pode parecer louca, leve, livre e solta nos seus shows, nos seus clips; a cidadã é uma mãe cuidadosa que paga seus impostos e não rasga dinheiro, ou seja, é alguém responsável que respeita o sistema.

Ser careta não é fácil.