Monthly Archive for October, 2008

Leis de Incentivo à Cultura

Não concordo com a forma como são concedidos os chamados incentivos governamentais à cultura. Entendo que um grande quantidade de dinheiro é empregado de forma elitista e não cumpre os objetivos propostos. Dá-se dinheiro a quem não precisa, usando o dinheiro público para financiar espetáculos para classes sociais abastadas.

Freqüentemente vejo espetáculos teatrais, shows e outros apresentarem-se na cidade com a informação de que são em parte financiados por leis de incentivo a cultura. Quando você vai conferir, descobre que são espetáculos que cobram preços na faixa dos 250 reais ou mais. Para que faixa de público estão direcionados? Qual classe social pode pagar esse preço por um ingresso?

A verdade é que o dinheiro público acaba financiando a diversão para a camada mais abastada da sociedade, para uma classe que não necessita dessa ajuda. Quem pode pagar 250 reais por um ingresso, pode pagar mais do que isso, e não deixará de comparecer por causa do preço.

Além disso, enfrentamos aqui no estado, no RS – e imagino que não seja uma exclusividade nossa – uma enxurrada de denúncias de malversação dos recursos usados para o ncentivo à cultura. São comuns os casos de empresas que só dão recurso em troca de grande vantagem financeira. Liberam os recurso mediante o uso de recibos “calçados” – com valores superiores aos valores realmente fornecidos.

Uma outra forma de desvio do dinheiro público – e que fica na mão de intermediadores, perdido no pagamento de propinas – é o usado para contratar gente com a funçaõ de driblar a burocracia oficial. Gente especializada em apressar a liberação dos recursos pela agilização dos processos de incentivo cultural.

Certamente não é o caso de simplesmente eliminar o uso de dinheiro público com essa finalidade – que é meritória -, mas é preciso aprimorar as formas de concessão dos incentivos, fiscalizar melhor a sua utilização e priorizar o financiamento daquilo que for realmente destinado as camadas populares.

Desencanto

Muita gente já percebeu que esse governo mostra a sua competência quando está pressionado. Os episódios do passado recente, do mensalão, dos escândalos dos dossiês e outros são exemplos disso que eu falo. Não foram poucas as vozes que falavam à época em necessidade de reinvenção do partido . Até mesmo tradicionais próceres petistas falavam com tristeza sobre a grande dificuldade para recuperar a credibilidade ante a avalanche de acusações.

Passou o tempo e, incrivelmente, o partido parece ter saído fortalecido do episódio. Não só conseguiu reeleger o presidente da república, como alcançar ótimo desempenho nas eleições que se seguiram. Não há como negar também, que salvo algumas exceções, nos estados e municípios, o PT tem sido o pior inimigo de si mesmo. Ao que parece, quem prova o jeito petista de governar, dificilmente gosta da experiência e aprova. Ao menos preferem não repetir a experiência.

Isso não só atesta que temos memória curta, muito curta, como também não estamos nem um pouco preocupados com a política nacional. Nosso povo sempre está ocupado tratando de temas mais importantes e interessantes. Como compatibilizar o grande interesse pelo futebol, pelas novelas, pelo carnaval, pela viada das celebridades com a política? Isso já é exigir demais!

Devemos perdoar nosso pobre povo. Política não é coisa para qualquer um! Quem sabe dessas coisas de partidos políticos e dos políticos? O que são sistemas de governo, modos de produção capitalista ou socialista, divisão de poderes, o que são poderes? Coisa de super-heróis? Melhor ficar no futebol/carnaval/novela e celebridades…

Os males da internete

Vejo na imprensa uma grande quantidade de matérias cujo foco são os males provocados pela internete. Primeiro é preciso dizer que a internete não é um ente, mas uma ferramenta que serve para os mais variados usos. O mal então não está na ferramenta, eis que ela não tem vontade própria, mas nas pessoas que a utilizam com fins destrutivos.

E isso não é uma exclusividade da internete, mas de tudo na vida. Sempre é possível usar qualquer coisa para o bem e para o mal. Até os mais inofensivos instrumentos podem virar uma ameaça na mão de alguém mal intencionado.

Esse é aliás um dos males da sociedade brasileira, uma certa “ingenuidade” no que se refere ao comportamento das pessoas. Por aqui há uma grande tendência de considerar todo mundo bonzinho, culpando-se o mau comportamento de muitos pelos problemas sociais e econômicos, Essa tendência é a de “coitadizar” os marginais.

A internete não é diferente, o que a torna um “prato cheio” para os mal intencionados é o elevado grau de liberdade existente na rede. Na prática, qualquer um faz o que quer, a rede transmite aos seus utilizadores uma (falsa!) imagem de que é possível permanecer anônimo, inatingível.

Sabemos que não é bem assim, que é possível rastrear os passos de alguém na rede. Mas, na prática, o que vemos é uma briga de gato e rato, um revela e esconde entre fraudadores, pedófilos, pornófilos, vigaristas, etc e as autoridade encarregadas de capturar esse tipo de gente.

Não há solução fácil para o problema. Não me agrada perder parte da liberdade que temos na rede, mas acredito que só há liberdade com responsabilidade e a não há responsabilidade suficiente para esse “liberou geral” que existe na rede. Seremos obrigados a conceder, a aceitar uma maior fiscalização em nome de uma maior limpeza no meio.

Sempre digo que o mito dos humanos bonzinhos terminou com o trio Adão e Eva e a serpente. De lá para cá não somos anjos, não somos puros, não somos bonzinhos. Só existe dois tipos de grupos: os comportados porque são fiscalizados, e os liberais que fazem o que bem entendem sem respeitar os outros.

Acreditar em qualquer outra coisa é ser ingênuo.

Unanimidades

Dizem que toda a unanimidade é burra. Eu digo mais: digo que é chata, aborrecida. Levo o ditado para o lado dos esportes. No meu caso – digo, por preferência pessoal – o automobilismo, a Fórmula 1. Vejam como a F1 ficou bem mais interessante com a aposentadoria de Michael Schumacher.

Acabou aquela sucessão interminável de quebra de recordes. Todo domingo era a mesma coisa, esperar para ver o alemão levar mais uma. Dificilmente o script mudava, era largar e esperar pelo pódio e pelo hino alemão e o italiano. Este ano chegamos – como já havia acontecido no ano passado – com dois pilotos com reais chances de levar o título.

E não se trata de nacionalismo ou coisa do tipo. O interessante é a competição, a disputa. Um caso semelhane acontece no motociclismo, onde Rossi e seu impressionante cartel de vitórias acaba por tirar a graça do campeonato. Sei, sei, Valentino é um cara simpático e carismático, mas já cansou.

Não é por outro motivo que a Fórmula1 já começou a pensar num modo de igualar os carros. A preocupação é a mesma: aumentar a competitividade. Com carros mais equilibrados o campeonato tende a ganhar em emoção e disputa.

Da vantagem de parecer sem ser

Ou, a contrário senso, da desvantagem de não parecer e, muito menos, ser. Ser, no caso, comunista. Ser comunista da boca para fora gera dividendos. É fino, é politicamento correto, é revolucionário, é utópico, é tudo! Com a grande vantagem de só parecer sem ser – porque ser faz mal para qualquer um medianamente inteligente.

Quem só parece, normalmente não comparece na hora do pega pra capar. É só uma capa, de pobre, revestida por um sobretudo que cobre a veste, uma casaca fina. Nada mais igual do que ser diferente. Contrário senso, os iguais parecem ser aquilo que realmente são, iguais, lógica cruel e massificante, uma pasta que passou do ponto de cozimento, ficou um monte uniforme disforme que nem com muita fome vai.

A turma consegue ser fiel a Fidel com uma grande vantagem: só parecer e não ser. Qual a vantagem de ser, mas ter de morar naquela sonífera ilha? Triste e desamparada ilha, a filha órfã de uma utopia impossível: a de ser feliz na presença da dor de não nada ter. Que fique lá, bem guardada, de modelo daquilo que todos dizem ser sem precisar.

Quem não é e parece o não ser é, contraditoriamente, burro no seu parecer e inteligente no seu ser. Se sabe que não ser é o único caminho, e sabe que por parecer e na verdade não ser não padece, deveria parecer sem ser, pois padecer não carece. Teria a vantagem de parecer sem ser.  Se é que me entendem. Entendem?  

(Publicado originalmente no http://domlulo.blogspot.com/)

“De grátis!”

Ficou muito difícil conseguir alguma coisa confiável na web com essa política do “all free”, o nosso popular “de grátis”. Todos estamos – mal – acostumados a conseguir tudo de graça na rede. Existe aquela história – verdadeira! – de que “there’s no free lunch”, que, no final das contas, tudo tem o seu preço.

As empresas para fazerem frente a essa maré por coisas graciosas optaram por usar um subterfúgio, adotaram a política de “enrolar até aonde podem no processo de venda” iludindo o consumidor. Você acha que está obtendo alguma coisa grátis, mas está redondamente enganado – ou será, como descubrirá logo em seguida!

Baixar de graça não significa que é possível usar de graça – “Download for free don’t means that you can use it for free!” – Voce baixa o software, descompacta, instala e logo depois descobre o pega ratão, o programa avisa: insira o número de série ou instale com um prazo de validade de x dias. Não é que isso esteja errado, mas porque não avisar logo “de cara” que não se trata de um “freeware”, mas de um “shareware”?

O problema é que você instalou um lixo, um “inutilitário” no seu pc e que, mesmo que exista um desinstalador para a trapizonga, sempre ficam aqueles “traços” no seu registro. Se você instalar com freqüência programas e desinstalá-los, logo terá problemas com o seu sistema. Volto ao ponto: porque não avisar de cara que se trata de um programa shareware?

Sim! É possível encontrar programas que removem o lixo deixado durante a desinstalação desses lixos, mas muita atenção! A grande maioria deles funciona dentro do mesmo esquema, ele avisa que você tem lixo, mas só limpa se você inserir o número de série ou… Quer dizer, para se livrar de um lixo você pode acabar com dois!

Baixar de graça e usar de graça não significa que o programa preste para alguma coisa – Download for free and even if you can use it for free, don’t means that the program will work properly” – Muitas vezes, só depois de instalado é que você descobre que o programa não é funcional. Por exemplo: indica a existência do vírus, mas não o remove(?) – caso semelhante ao citado no programa desinstalador do parágrafo anterior. Programa útil, não é mesmo?

É preciso uma mudança de mentalidade geral na rede. Não há erro em querer de graça, assim como não há erro em querer vender. Se você procura num mecanismo de busca por programas freewares, deviam aparecer os produtos realmente freewares. Mas esse não é o caso, tentando uma venda, muitos produtos pagos “se inserem” através do uso de “keytags” mentirosas para aparecerem nos resultados da sua busca.

Com sempre, uma questão de ética.

(Post originalmente publicado no http://abafante.blogspot.com)

Cavalo Dado

Nós temos um ditado aqui no Rio Grande do Sul que afirma que “a cavalo dado não se olham os dentes”. Examinar os dentes do cavalo que se quer comprar é uma forma de determinar a idade do animal. Por isso, ninguém em bom juízo compra um cavalo sem examinar-lhe os dentes assegurando-se que não se trata de um cavalo velho.

Mas para cavalo dado a história é bem outra. , não há o que examinar ou questionar, resta agradecer pelo presente, montar e seguir o seu caminho. Mas isso também não significa que alguém se obrigue a  receber até cavalo morto de presente. Ninguém é obrigado a dar nada de presente, e presentear alguém com algo que não presta não é presente, é desaforo!

Traço o paralelo para comparar com algumas coisas dadas de presente aqui na internete. Os famosos programas “de grátis”. Todo mundo sabe que esses programas, salvo raras exceções de plataformas abertas, são limitados e de alguma forma inferiores aos programas pagos. Não se paga nada e recebe-se uma contrapartida semelhante, um pouco mais do que nada.

Estava analisando o Norton Security Check, programa que examina o seu pc atrás de vírus, spywares e outros malweres. O programa leva ao extremo essa norma de não oferecer nada. O programa examinou meu sistema descobriu dois “cookies” que estariam “tracking my net activities”. A ação sugerida pelo programa é apertar o botão “Fix”. O programa diz que os “malweres” não podem ser fixados.

Ou seja, para apagar dois simples cookies – e que cá prá nós, não são nada perigosos para a integridade do meu sistema – da máquina preciso comprar a versão paga do programa. Desinstalei o programa. Obrigado, podem ficar com o cavalo…

(Publicado originalmente no http://alou.wordpress.com)

Eu era feliz porque não sabia

Fico pensando se às vezes o melhor é não saber. Se o saber ilumina, muitas vezes o excesso de luz acaba cegando. Para os que têm “poucas luzes”, vale o consolo de que os inocentes vêem (palavra que perderá o acento circunflexo com a reforma ortográfica) menos e, por essa mesmo, sofrem menos.

Procuro estar inteirado de tudo o que de importante acontece no mundo. Muita gente faz isso por dever de ofício, eu sou dos que fazem por gostar. Mas o preço é alto, além de tomar conhecimento de todas as maldades que acontecem no mundo, você é tratado como néscio, qualidade da maioria.

Ouvir da boca do comandante da desastrada operação de Santo André/SP que “se o resultado da invasão do cativeiro fosse outro a polícia estaria sendo aplaudida”, tem o mesmo valor que afirmar que se eu tivesse inventado o DOS eu agora seria o Bill Gaites, dizer o quê?

Ouvir da boca do presidente que a fiscalização do Ministério Público sobre a gestão pública cria um ambiente de terror e impede o desenvolvimento da missão de governar, tem o mesmo valor que afirmar que não é possível governar sem malversar o dinheiro público.

Por isso tudo que é difícil viver conscientemente nesse país, você tem de escolher entre ser feliz na ignorância, ou infeliz na sabedoria. Qual a tua escolha?

(Texto publicado originalmente no http://bandeide.blogspot.com/)

Os contadores de histórias

O fracasso na tentativa de resgate das reféns do seqüestro, e que acabou vitimando a menina Eloá em Santo André/SP, foi justificado pela necessidade de uma ação rápida e inoportuna. Dela surgiu “a tal história do tiro prévio”, história montada para proteger a equipe dos policiais militares.

 

O próprio comandante da equipe da polícia militar no local afirmou, momentos após o trágico desfecho, que “se tudo tivesse ocorrido bem, agora a imprensa estaria elogiando a ação da polícia militar”. Uma atitude de defesa preventiva de quem sente que as coisas não ocorreram como deveriam e sente que em parte é responsável pelo ocorrido.

 

O desfecho trágico do seqüestro revela uma outra tragédia: a total falta de profissionalismo e a desorganização do aparato encarregado pela segurança pública no Brasil. Nesse setor nós remamos na contra-mão da história em tudo o que é considerado moderno e eficiente no setor em todo o mundo.

 

Está mais do que provado que a idéia de “militarizar” o policiamento preventivo no Brasil – um dos frutos da ditadura militar de 64 – resultou num grande fracasso. Mais do que militarizar a polícia, a idéia provocou uma divisão no setor da segurança pública, e as duas entidades – polícias civis e militares – nunca trabalharam em harmonia.

 

Seqüestro é uma ocorrência tipica que exige uma equipe treinada para lidar com a situação. Não se tem uma só equipe especializada e treinada para isso porque não há acordo entre as polícias, a coisa não é resolvida com a lógica de entregar a situação para quem está mais habilitado, mas de “quem chegou primeiro”.

 

Corporativismo puro e que penaliza a população. Agora mesmo nesse caso do seqüestro de Santo André/SP, todos se movem no sentido de “manter a história oficial do tiro prévio”. Nesse sentido foi interessante ouvir o Coronel designado para investigar a atuação da equipe da PM setenciar “eles agiram corretamente”, isso mesmo antes de iniciar os trabalhos.

 

É claro que todos estavam lá com a melhor das intenções e com o intento de solucionar positivamente o seqüestro. Não houve dolo, mas faltou profissionalismo, competência, e faltou humildade para colocar a vida das reféns acima desse jogo de belezas que afeta a segurança pública no Brasil. Pior! Infelizmente isso não serve de consolo para os familiares e amigos da jovem vitimada na ocasião.
(artigo publicado originalmente no http://domrs.blogspot.com)

Dizer o quê?

Lua e Sol são bons exemplos daquilo que se passa nesse mundo dos blogs. O sol, o astro rei com luz própria, é o centro de todo o sistema planetário que, não por acaso, leva o seu nome. A Lua, esse pequeno satélite da terra, não têm luz própria, e brilha com a luz que recebe do Sol. Pois a nossa blogosfera é assim, um sistema feito por poucos sóis e milhões de luas!

Quantos nessa vasta rede tem conteúdo original, próprio? A maioria se limita a ser nada mais do que meros replicadores do conteúdo alheio. E a maioria sobrevive porque para os milhões que freqüentam esses locais, a maioria sem condições de avaliar e separar o joio do trigo, tudo é maravilhoso, tudo é original, tudo é criatividade.

Republicam prosa e poesias, textos, notícias, imagens, vídeos, livros, filmes, republicam tudo, são imensas legiões de máquinas copiadoras e, o que é pior, máquinas sem a mínima ética, não citam fontes, originais, não dão o devido crédito a quem de direito criou o material clonado. Pior ainda, muitas vezes modificam o que é bom, sempre tornando-o um subproduto de qualidade inferior, diminuindo o grau de confiabilidade na rede.

Imaginem quanta satisfação proporciona encontrar um conteúdo da sua autoria sem o devido crédito – já nem falo sem a devida autorização para a inclusão! Depois você nos comentários um monte de (melhor não adjetivar!) gente elogiando o falso “autor” que, imagino, não deve nem ficar vermelho de vergonha (o que é vergonhoso para essa gente?)

Mas, fazer o quê? Esse é o maravilhoso mundo dos nossos blogs e, é claro!, não espero ter o mínimo apoio dos copiadores (ou surrupiadores do conteúdo alheio?), os quais certamente não concordarão com uma só palavra desse texto.