Trabalhei institucionalmente – ou oficialmente, ou como empregado – por exatos trinta e seis anos. Considero que cumpri minha jornada, não só pela idade, ou pelo decurso do prazo – na época em que ainda era possível a aposentadoria só pelo tempo de serviço -, mas na firme crença de ter trabalhado com afinco e dedicação durante todo esse período.
Sai (aposentado) ainda jovem – ou nem tanto, nessa mania de não querer assumir a nossa velhice -, menos pela vontade de sair e mais pela sensação de que as cláusulas pétreas constitucionais – em que se baseam nossos direitos – parecem pouco sólidas, assentadas em pedra sabão. Fui antes que mudassem as leis – e mudaram!
Depois de aposentado, guardei para sempre chefes, gravatas, uniformes, relógio, turnos, tudo o que diz respeito às relações trabalhistas, e com a firme determinação de não voltar jamais a encarar isso tudo. Após mais de dez anos de aposentado – apesar dos avisos de que eu não duraria tanto sem trabalhar! – continuo cumprindo a promessa.
Já escrevi um livro, mil blogs, e agora virei marceneiro. E tudo com uma condição: só faço quando estou com vontade. Viva a liberdade!