Monthly Archive for November, 2007

Limitação

Vivo no crediário: em suaves prestações. Quisera – o que é uma forma verbal de quimera! – um viver à vista, viver de um todo, aos nacos, no taco, com bons e incomedidos bocados, deseducados! Desses que te deixam lambusado, saciado, refestelado, enfastiado.

Mas não! Sigo cansado nessa vida franciscana, econômica, dietética. Num viver comedido, de passarinho, viver pouquinho, limitado. Dizem que, assim, vou longe. Longe quanto? Longr aonde? Questào de tempo? Nessa já insuportável economia de vida. Vida no banco, vida em branco. Pura.

Quero o pecado da gula! O perigo das misturas! Venenos? Benvindos sejam!

Liberdade

Trabalhei institucionalmente – ou oficialmente, ou como empregado – por exatos trinta e seis anos. Considero que cumpri minha jornada, não só pela idade, ou pelo decurso do prazo – na época em que ainda era possível a aposentadoria só pelo tempo de serviço -, mas na firme crença de ter trabalhado com afinco e dedicação durante todo esse período.

Sai (aposentado) ainda jovem – ou nem tanto, nessa mania de não querer assumir a nossa velhice -, menos pela vontade de sair e mais pela sensação de que as cláusulas pétreas constitucionais – em que se baseam nossos direitos – parecem pouco sólidas, assentadas em pedra sabão. Fui antes que mudassem as leis – e mudaram!

Depois de aposentado, guardei para sempre chefes, gravatas, uniformes, relógio, turnos, tudo o que diz respeito às relações trabalhistas, e com a firme determinação de não voltar jamais a encarar isso tudo. Após mais de dez anos de aposentado – apesar dos avisos de que eu não duraria tanto sem trabalhar! – continuo cumprindo a promessa.

Já escrevi um livro, mil blogs, e agora virei marceneiro. E tudo com uma condição: só faço quando estou com vontade. Viva a liberdade!