Ser um otimista incorrigível, essa é a fórmula de se viver bem por aqui, assumir o papel do sujeito que ganha a lata com bosta de cavalo e sai a procurar pelo bicho. É o único jeito.
Monthly Archive for August, 2007
O assunto é controverso. Resta saber o que pensam os eleitores quando elegem alguém acusado da perpetração de um crime, ou mesmo se conhecem, se sabem dos detalhes do processo a que responde o acusado. Parece óbvio que isso não ocorre, a opinião pública – da maioria -, por bem ou por mal, pouco conhece ou mal conhece as acusações que se fazem aos nossos políticos. Os mais esclarecidos conhecem alguma coisa através da imprensa. E é só.
Como conferir à multidão ignorante – que desconhece a matéria – e despreparada a função de juiz? Se assim fosse estaríamos abandonando o império da lei e da ordem, voltando a vida primitiva tribal. A tese só se sustenta na defesa do indefensável.
Por estes dias surgiu um movimento no país intitulado “cansei”. Uma palavra, um resumo da ópera, um termo que diz pouco, mas no seu pouco condensa muito, condensa tudo. Quem cansa desiste, dizem uns, acusando o movimento de derrotista, de entreguista. Eu já vejo de outro modos, digo que quem cansa, cansa. Outras ilações que se deduzem do termo ficam por conta de quem deduz dessa ou de outra maneira – ou de quem livremente infere.
A origem desse propalado cansaço é mais do que conhecida e própria de quem espera sem alcançar alguma coisa. Coisas desse nosso eterno “País do Futuro”, ou de um “País do Futuro do Pretérito”, como eu costumo e gosto de chamá-lo. Mas não pense que esse é um movimento unânime, não pense que a coisa está ruim para todos, não! A coisa continua como sempre: eternamente boa para os mesmos, eternamente ruim para os mesmos sofredores de sempre.
E continuar com sempre sugere imobilidade, imobilidade que cansa e faz surgir o cansaço e o “Cansei”. Eu cansei já faz muito…
Paciência não é uma virtude, paciência é um exercício. Porque o mal que abate Paulo é o mesmo que abate Paulinho. O que eu quero dizer com isso? Quero dizer que o ataque à paciência é o mesmo, o que diferem são as reações, a capacidade de cada suportar estes ataques à paciência. Seria um erro considerar que para o paciente é mais fácil, não o é, nem um pouco, ele somente é mais paciente, é alguém que consegue suportar com mais galhardia esses ataques.
Eu tenho me posicionado assim, tenho tentado ser forte, para que a minha capacidade de suportar estes ataques aumente, para que eu não exploda por qualquer coisa – essa é verdadeiramente a marca do intolerante. Sei que não é uma tarefa fácil, mas, como tudo o mais na vida, não há tarefas fáceis. As vitórias vêm com o tempo, e o aprendizado vem com o tempo de treinamento.
Ninguém nasce perfeito e acabado, esse polimento que nos distingue como pessoas educadas é um fruto, o resultado de muito tempo de treinamento e da assimilação das muitas orientações recebidas. Vivendo e aprendendo!
Nossa jornada será, pois, tão leve quanto nossa capacidade de fugir desses acessórios, de nos mantermos fiéis ao modelo original, ao básico. Lógico: muita bagagem dificulta a caminhada.