Monthly Archive for August, 2007

Fazer o quê?

É preciso fugir da ignorância política, necessário conhecer o meio em que se vive. Ao mesmo tempo é preciso não deixar que o pessimismo tome conta do espírito, acreditar que – mesmo contra toda a lógica! – as coisas podem melhorar no país.

Ser um otimista incorrigível, essa é a fórmula de se viver bem por aqui, assumir o papel do sujeito que ganha a lata com bosta de cavalo e sai a procurar pelo bicho. É o único jeito.

Das Culpas

Prócer do governo advoga que as eleições tem o condão de julgar – e de perdoar – os crimes dos governantes. Defende a tese de que, político eleito está absolvido de seus crimes. O povo acima da lei, ou a tese de que se a lei é invocada para defender a sociedade, quando ela própria – que é a atingida – resolve perdoar o criminoso, não cabe a ninguém mais contestar. Joga por ralo abaixo as teorias de ação pública e privada, ou confere ao povo a titularidade formal da ação pública.

O assunto é controverso. Resta saber o que pensam os eleitores quando elegem alguém acusado da perpetração de um crime, ou mesmo se conhecem, se sabem dos detalhes do processo a que responde o acusado. Parece óbvio que isso não ocorre, a opinião pública – da maioria -, por bem ou por mal, pouco conhece ou mal conhece as acusações que se fazem aos nossos políticos. Os mais esclarecidos conhecem alguma coisa através da imprensa. E é só.

Como conferir à multidão ignorante – que desconhece a matéria – e despreparada a função de juiz? Se assim fosse estaríamos abandonando o império da lei e da ordem, voltando a vida primitiva tribal. A tese só se sustenta na defesa do indefensável.

Enquanto…

Enquanto não for comigo, tudo bem. Resta saber até quando? Até quando serei espectador, um assistente, alguém que estava presente, mais um na multidão. Enquanto isso a bala perdida encontrava seu alvo, o assassino, sua vítima, o vigarista um otário, o vírus um hospedeiro, o avião fazia seu último pouso…

Saudável

Saúda-se nosso Supremo Tribunal Federal pela decisão do rumoroso caso do mensalão (compra de apoio político para o partido do governo através de pagamentos mensais à oposição). Fala-se em independência, integridade e coerência, como se fossem atributos extraordinários, quando são o mínimo que se pode exigir de mais alta corte de país.Entendo que essa decisão não acrescenta, nem diminui o supremo, apenas confirma o que se poderia esperar. Talvez o espanto advenha da nossa costumeira convivência como o torto, com o errado, com o moralmente incorreto. Ou talvez isso dê uma pálida idéia como é extraordinário se cumprir o dever nesse país.

Os cansados e o cansaço

Por estes dias surgiu um movimento no país intitulado “cansei”. Uma palavra, um resumo da ópera, um termo que diz pouco, mas no seu pouco condensa muito, condensa tudo. Quem cansa desiste, dizem uns, acusando o movimento de derrotista, de entreguista. Eu já vejo de outro modos, digo que quem cansa, cansa. Outras ilações que se deduzem do termo ficam por conta de quem deduz dessa ou de outra maneira – ou de quem livremente infere.

A origem desse propalado cansaço é mais do que conhecida e própria de quem espera sem alcançar alguma coisa. Coisas desse nosso eterno “País do Futuro”, ou de um “País do Futuro do Pretérito”, como eu costumo e gosto de chamá-lo. Mas não pense que esse é um movimento unânime, não pense que a coisa está ruim para todos, não! A coisa continua como sempre: eternamente boa para os mesmos, eternamente ruim para os mesmos sofredores de sempre.

E continuar com sempre sugere imobilidade, imobilidade que cansa e faz surgir o cansaço e o “Cansei”. Eu cansei já faz muito…

A Paciência e os Pacientes

Paciência não é uma virtude, paciência é um exercício. Porque o mal que abate Paulo é o mesmo que abate Paulinho. O que eu quero dizer com isso? Quero dizer que o ataque à paciência é o mesmo, o que diferem são as reações, a capacidade de cada suportar estes ataques à paciência. Seria um erro considerar que para o paciente é mais fácil, não o é, nem um pouco, ele somente é mais paciente, é alguém que consegue suportar com mais galhardia esses ataques.

Eu tenho me posicionado assim, tenho tentado ser forte, para que a minha capacidade de suportar estes ataques aumente, para que eu não exploda por qualquer coisa – essa é verdadeiramente a marca do intolerante. Sei que não é uma tarefa fácil, mas, como tudo o mais na vida, não há tarefas fáceis. As vitórias vêm com o tempo, e o aprendizado vem com o tempo de treinamento.

Ninguém nasce perfeito e acabado, esse polimento que nos distingue como pessoas educadas é um fruto, o resultado de muito tempo de treinamento e da assimilação das muitas orientações recebidas. Vivendo e aprendendo!

Quando o menos é mais

Precisamos, ou pensamos precisar de muitas coisas nessa vida. Não nos sabemos seres completos, plenos, prontos. Temos todo o equipamento para a jornada, tudo o mais não é essencial, mas acessório, opcional.

Nossa jornada será, pois, tão leve quanto nossa capacidade de fugir desses acessórios, de nos mantermos fiéis ao modelo original, ao básico. Lógico: muita bagagem dificulta a caminhada.