Scorsese? Mais do que na hora de ganhar, desde Touro Indomável, Os Bons Companheiros, etc.
Monthly Archive for February, 2007
Contenho-me! Entre duas centenas de países no mundo, só quatro ou cinco dividirão a honra de ter um filme a representá-los logo mais na festa de entrega do prêmio, no teatro Kodak de Hollywood. Um privilégio para poucos, se estar entre os concorrentes é meritório, não estar dentre eles não é um demérito.
Mania de brasileiro! Achar que sempre tem de estar entre os que lutam para ser o primeiro em alguma coisa, em qualquer coisa. Não que façamos por merecer, mas isso não parece interessar as nossas consciências, lutamos por lutar, como quem luta por um direito divino.
A vida em Pindorama começa a entrar em seu ritmo quase normal – já que se falar em normalidade aqui é sonho. O ano começa pra valer, que até agora foi férias, foi festa, foi praia e foi carnaval. Não muda muito, mas é assim que nós somos.
Eu, que sou de carne e osso – talvez um pouco demasiado de carne nos lugares errados -, também “me incluo nessa”, volto a minha quase anormalidade que é o meu ser normal.
Porque não é menos do conhecimento geral de que os anos só começam aqui na “Terra Brasilis” depois do carnaval. Fim de férias, passado o tempo de festejos, o ano começa pra valer, ou no dizer popular: “agora é as ganhas”, agora é pra valer.
Eu, que não sou menos brazuca do que ninguém, digo: Feliz Ano Velho/Novo!
Agora mesmo estava procurando uma imagem para colocar junto de um texto. Resultado: uma hora perdida procurando – e não encontrando – por algo que me satisfizesse; sem a imagem, desisti do texto. Um texto perdido… uma hora perdida…
Esse sentimento puro que une duas almas numa noite escura! Esse sofrer doce que a gente gostaria que nunca se fosse! Esse gosto amargo na boca com sabor de estopa! Ah! O amor…
Melhor do que um amor só um amor de carnaval. Um amor datado, que começa com prazo de validade, e com um acabar determinado. Um amor gostoso feito pra se acabar na quarta-feira. E depois o melhor: não tem depois!
E fora isso? Fora isso, necas! Nadinha, zero. Dois meses se arrastando, com vontade de leão de não fazer absolutamente nada. Estamos em plena política do quanto menos, tanto melhor. E não se diga que não estão deixando o homem trabalhar. Se não trabalha não é por obra e graça do “atrapalhamento alheio”, mas por vocação pessoal…
Não que eu dê muita importância ao carnaval, já fui um folião nos meus tempos de solteiro, hoje, casado, sou carta fora do baralho. Considero que carnaval é uma festa bacante, uma festa para começar a curtir solteiro e terminar casado, como par. Cada um tem a sua época e eu já tive a minha.
A verdadeira tragédia brasileira se compõe de mais de cinqüenta mil vítimas da violência anual, essa é a regra, é o geral. O horrível caso do menino é exceção; não disponho de informações para emitir um juízo de valor, mas provavelmente foi mais fruto de uma série de trágicos eventos do que um crime premeditado.
O caso choca, agrada a mídia, vende jornal, dá ibope. Infelizmente a verdadeira tragédia permanece fora das manchetes, está quase invisível, lá nas várias, nas continuadas, nas insistentes, nas já usuais notinhas de rodapé que noticiam as dezenas de mortes provocadas pela violência todos os dias.