Monthly Archive for February, 2007

Oscar?

Falar do Oscar? Talvez seja uma pedida, o cinema é uma manifestação cultural que suscita tantas paixões, tantas polêmicas. O que posso dizer? Que “Pequena Miss Sunshine” merecia ter ganho mais prêmios? Não ganhou, ficou com o de melhor ator coadjuvante para Alan Arkin, com o de roteiro adaptado.A rigor, os melhores não concorrem ao Oscar. Hollywood sabe tudo de multidões, sabe tudo de milhões, de megaproduções e sabe pouco de arte. Não são coisa que se excluem? Ou são? O que é popular não é bom… o que é bom não é popular… coisas de um povão inculto, defeitos da massa.

Scorsese? Mais do que na hora de ganhar, desde Touro Indomável, Os Bons Companheiros, etc.

Policiando-me!

Hoje é a noite da cerimônia de entrega dos prêmios Oscar da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood. Conferindo o rol dos concorrentes à estatueta de Melhor Filme Estrangeiro, meu primeiro impulso é reclamar ao constatar a ausência de um filme brasileiro entre os filmes pré-classificados.

Contenho-me! Entre duas centenas de países no mundo, só quatro ou cinco dividirão a honra de ter um filme a representá-los logo mais na festa de entrega do prêmio, no teatro Kodak de Hollywood. Um privilégio para poucos, se estar entre os concorrentes é meritório, não estar dentre eles não é um demérito.

Mania de brasileiro! Achar que sempre tem de estar entre os que lutam para ser o primeiro em alguma coisa, em qualquer coisa. Não que façamos por merecer, mas isso não parece interessar as nossas consciências, lutamos por lutar, como quem luta por um direito divino.

Se eu quero?

E como eu quero! Aliás, todos esperam e querem. Se querer é poder, haja!

Amenidades

Hoje se desfaz aquela tapeação provisória ao deus Cronos e se restitui a hora que foi roubada com o início do horário de verão. Teremos um sábado com 25 horas, sonho de qualquer festeiro de fim de semana.

A vida em Pindorama começa a entrar em seu ritmo quase normal – já que se falar em normalidade aqui é sonho. O ano começa pra valer, que até agora foi férias, foi festa, foi praia e foi carnaval. Não muda muito, mas é assim que nós somos.

Eu, que sou de carne e osso – talvez um pouco demasiado de carne nos lugares errados -, também “me incluo nessa”, volto a minha quase anormalidade que é o meu ser normal.

Feliz Ano Velho? Ou Novo?

O ano não é mais novo, todos sabem que os anos novos tem vida curta, não costumam durar mais do que as vinte quatro horas do seu primeiro dia; então estamos, por exclusão, em um ano velho e que, contrário-senso, está começando agora.

Porque não é menos do conhecimento geral de que os anos só começam aqui na “Terra Brasilis” depois do carnaval. Fim de férias, passado o tempo de festejos, o ano começa pra valer, ou no dizer popular: “agora é as ganhas”, agora é pra valer.

Eu, que não sou menos brazuca do que ninguém, digo: Feliz Ano Velho/Novo!

Deixa disso!

Esse “deixa disso” é um acusativo, eu sou o alvo dele. Devo deixar de ser tão exigente, ou crítico com tudo. O “isso”, ter muita autocrítica, acaba por dificultar – e muitas vezes por impossibilitar – a criação de qualquer texto nos meus blogs. Nunca nada está suficientemente bom para ser publicado!

Agora mesmo estava procurando uma imagem para colocar junto de um texto. Resultado: uma hora perdida procurando – e não encontrando – por algo que me satisfizesse; sem a imagem, desisti do texto. Um texto perdido… uma hora perdida…

Ah! O amor…

Esse sentimento puro que une duas almas numa noite escura! Esse sofrer doce que a gente gostaria que nunca se fosse! Esse gosto amargo na boca com sabor de estopa! Ah! O amor…

Melhor do que um amor só um amor de carnaval. Um amor datado, que começa com prazo de validade, e com um acabar determinado. Um amor gostoso feito pra se acabar na quarta-feira. E depois o melhor: não tem depois!

Trabalho?

Para comprovar a tese de que nada funciona nesse país depois do natal e até o carnaval, posso dizer que nada aconteceu depois do natal até agora no país. Ah, claro, ia esquecendo, tivemos a emocionante disputa pela presidência da câmara e do senado, mais o lançamento do não menos emocionante e aguardado, o agora já famoso PAC de da Silva.

E fora isso? Fora isso, necas! Nadinha, zero. Dois meses se arrastando, com vontade de leão de não fazer absolutamente nada. Estamos em plena política do quanto menos, tanto melhor. E não se diga que não estão deixando o homem trabalhar. Se não trabalha não é por obra e graça do “atrapalhamento alheio”, mas por vocação pessoal…

Carnaval

A festa deve ser a mesma, eu é que devo estar mudado. Sinto como se os festejos estivessem passando em brancas nuvens, não sinto o ritmo da festa, nem mesmo empolgação nos outros. Estou falado do carnaval, festa que começa no próximo final de semana.

Não que eu dê muita importância ao carnaval, já fui um folião nos meus tempos de solteiro, hoje, casado, sou carta fora do baralho. Considero que carnaval é uma festa bacante, uma festa para começar a curtir solteiro e terminar casado, como par. Cada um tem a sua época e eu já tive a minha.

A manchete e o rodapé da página

A mídia se alimenta do extraordinário, do particular, a realidade é feita do comum, do geral. O particular pode não espelhar o geral, e se foge ao normal, não é a regra, é a exceção. Este caso emblemático – ou midiático – terrível, em que um menino foi arrastado é um exemplo disso que estou falando.

A verdadeira tragédia brasileira se compõe de mais de cinqüenta mil vítimas da violência anual, essa é a regra, é o geral. O horrível caso do menino é exceção; não disponho de informações para emitir um juízo de valor, mas provavelmente foi mais fruto de uma série de trágicos eventos do que um crime premeditado.

O caso choca, agrada a mídia, vende jornal, dá ibope. Infelizmente a verdadeira tragédia permanece fora das manchetes, está quase invisível, lá nas várias, nas continuadas, nas insistentes, nas já usuais notinhas de rodapé que noticiam as dezenas de mortes provocadas pela violência todos os dias.