Monthly Archive for January, 2007

Comendo os avos

E vamos comendo os avos – eu disse avos, não disse ovos e nem disse os avós! – que formam o inteiro, janeiro significa 1/12 do ano que já se vai pelo ralo… Você vai responder otimisticamente que ainda faltam 11/12 avos para terminar o ano. Tudo bem, é uma forma de ver o bolo, eu penso que o ano virou ainda “ontem” e já passou o primeiro mês, já passou janeiro.

Depois fevereiro é um mês com pernas curtas, tem somente 28 dias, sem contar os feriados que servem para encurtar ainda mais o mês – pelo menos aqui em Porto Alegre, com o feriado de Nossa Senhora dos Navegantes no dia 02. Fevereiro sempra passa mais depressa, porque é mais curto e porque deixa essa sensação de cobertor curto.

Melhor nem pensar… deixa estar que ficar pensando nisso encurta ainda mais o tempo…

Feliz Ano Velho…

Os anos novos tem uma característica, são efêmeros! Costumam não durar mais do que as 24 horas do seu dia primeiro. Durante o seu dia de abertura, durante o seu “debut”, os anos novos são recebidos com aquele foguetório, grande festa, entusiasmo, abraços, beijos e até promessas!

Isso mesmo, promessas. As pessoas costumam prometer mundos e fundos durante a celebração dos chamados anos novos. Certamente o teor de álcool no sangue ajuda bastante, ninguém na ocasião avalia muito o sacrifício necessário para o cumprimento dessas promessas.

Depois é aquilo que se vê. – Eu? O que eu prometi? Não mesmo! Você está enganada! Nunca prometi esse tipo de coisa, veja se eu iria prometer uma coisa dessas, nem pensar! E fica o dito pelo não dito, depois, sempre terão outros anos novos para novas promessas e novos descumprimentos…

Meu ver o mundo

Luto diariamente, luto constantemente para obter um olhar diferente sobre o mundo, para vê-lo numa perspectiva mais otimista, mais alegre, mais romântica, para vê-lo como um mundo melhor. Quero enganar os meus olhos? Estarei sendo otimista demais, sonhador demais?

Talvez, o nosso olhar não deva ser influenciado pelo nosso coração, talvez eu deva deixar que o processo mental, seja o normal, nada demais. Nem de menos. Qual a vantagem de querer modificar uma realidade que se apresenta cruel aos meus olhos?

Isso tem a ver um pouco com essa minha teima, de insistir em manter um certo olhar poético sobre a vida, de querer ou pretender romancear as situações, de ser um verdadeiro sonhador. E não são poucas as vezes em que me dou mal pela atitude.

Volta e meia preciso acordar de um desses devaneios de infinita beleza para a realidade. E, triste, volto, nessa volta para a realidade…

Procurar pêlo em ovo

“Enquanto continuarmos misturando as coisas não encontraremos a solução! Uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa! Segurança se resolve com imposição de autoridade e com a certeza de que o crime não compensa.

Transformar o mundo, fazer retornar o mundo ao paraíso, transformar todo mundo em bonzinho, educar a todos, distribuir renda uniformemente são outros objetivos, válidos, claro!, mas é outra coisa, outro departamento.

Dá pra entender e separar essas coisas? Muito 0brigado!” – Trinta e dois anos de atividade policial, sem ser mais um dos “entendidos” ou doutos na matéria.

Ser Livre…

Todo mundo fala em liberdade, mas as palavras certas são possibilidade e limitação. Ser livre dentro de certa possibilidade, quando há uma grande limitação, não é ser livre, é limitar-se, e pode chegar a ser escravidão. Nunca vi ninguém pregar a igualdade no pior, todos querem ser iguais no nirvana, no que há de melhor.

Você já viu alguém lutar por igualdade de deveres? Por igualdade de obrigações? O que mais se vê são lutas por igualdades de direitos e de situações (sempre situações boas, é claro!). Sei que ninguém vai procurar o pior para si, mas temos essa mania de só ver o lado conveniente da coisas.

Ninguém fala, por exemplo, que liberdade implica em responsabilidade; ou quanto maior a liberdade, maior a responsabilidade. Liberdade irresponsável foi a outorgada pela Carta Constitucional de 1988 que gerou esse caos na segurança pública do país. Ninguém quer – ou vai – reconhecer o erro, seria politicamente incorreto.

O sentimento de impunidade, ou o sentimento de que o “crime compensa”, fez com que chegássemos a esse ponto, ao ponto da barbárie. Hoje se assalta e coloca fogo no veículo para acabar com as testemunhas… precisa falar mais?

Descobertas

Eu juro que tentei criar um personagem, um misto de “Eremildo, o idiota” com a falecida “Velhinha de Taubaté”. Sempre achei que esses dois personagens tinham características importantes que se complementavam. De outra parte, tinham, também, características que dificultavam a integração.

Um idiota pode ser bem informado? Pode, não é mesmo? Basta que seja um telespectador assíduo, por exemplo, algo que informa mas sem comprometer, sem formar, mantendo a idiotice, se é que me entendem. Já a “Velhinha” aquela, não precisa ser idiota, mas precisa ser crédula, a característica fundamental do personagem.

Pensando bem, aonde se poderia chegar com um idiota incrédulo? A lugar nenhum. Estou criando caso gratuitamente, são personagens são perfeitos para retratar a nossa realidade…

Os Sem Máscaras

Mocinhos versus bandidos, o bem contra o mal, o eterno confronto da humanidade. Nos meus tempos da infância o entendimento era facilitado por algumas normas pétreas: a primeira e fundamental lei era que o bem deveria vencer sempre; apesar dos Zorros da vida, a norma também indicava que bandidos usavam máscaras, os mocinhos tinham um cavalo branco e a cara limpa.

Isso era para formar as novas gerações com valores morais corretos. Valores que os psicólogos depois disseram que não eram formados nesse tipo de filmes – depois disseram que não se formavam, também, em casais estáveis – e depois passaram a não se formar mais jovens com valores morais corretos em coisa nenhuma – exagero meu!, brincadeira com um pingo de verdade.

Com os novos valores que desvalorizaram os velhos valores, os “bad guys”, o mal passou a vencer, e bandidos passaram a dispensar o uso da velha e incriminadora máscara. Quer dizer, a máscara era um artifício usado nos tempos da inocência para dificultar a identificação dos facínoras. Mas isso foi antes da investigação forense, dos crimes do colarinho branco e antes que as pessoas perdessem a inocência.

Quem poderia imaginar nos dias de hoje um herói tipo Superman? Alguém que “se mascara” colocando os óculos? De uma forma ou de outra, ficou muito difícil nos dias de hoje identificar os bandidos. Muitos, apesar de serem “do mal” tem uma cara bem simpática, aparecem na televisão e nos jornais e são tomados pela maioria como mocinhos!

Não sei, eu preferia no meu tempo, era tudo mais fácil…

Reflexões imperfeitas num dia quente!

Pensamento do dia: “A vida é sexualmente transmissível.” Hoje a temperatura foi aos 36 graus celsius aqui em Porto Alegre. Inventaram alguma coisa chamada “sensação térmica”, para explicar porque 36 graus dão a sensação de 42 graus. Ou porque você respira e sobrevive como se estivessem 42 graus, e os termometros só marcam 36 graus.

Não vou explicar porque acho frescura – ou preferia que fosse! – e não entendo. Ou é uma coisa, ou é outra coisa. Tenho uma teoria que depois de uma certa temperatura, ao contrário dos climas frios, as células nervosas derretem, ou começam a se fundir e se recusam a executar operações básicas, a trabalhar dentro das normas básicas do raciocinio lógico. Ou seja: no calor todos viram, não camelos, mas burros!

Gu gu da da ba ba…. Frio por favor!

(Ir)Realidade

A impressão que tenho é que vivemos num “país de faz-de-contas”. Como se esse “fazer-de-contas” fosse uma espécie de condão mágico que tivesse o poder de transformar a irrealidade em realidade. Algo do tipo: “Se fizermos de conta com bastante vontade, nossos sonhos se transformarão em viva realidade!” Uau!

Que frase! Que imagem linda, não é? Assim, alguns fazem que governam e nós fazemos de conta que somos governados; fazemos de conta que trabalhamos, e os patrões fazem de conta que nos pagam; os professores fazem de conta que ensinam, e os alunos que aprendem. Lembro daqueles cartazes positivistas: “Não fale em crise, trabalhe!” Que tal essa outra: “Não pense na situação, puxe a carroça!”

Fazemos de conta que vivemos em um país onde tudo funciona e fazemos de conta que não enxergamos as mazelas que nos cercam. Até quando vamos levar essa vidinha de conto de fadas? Quando é que vamos despertar para a realidade, enfrentando com maturidade os desafios que irão nos transformar em uma verdadeira nação, e nós em cidadãos? Quando vamos deixar de ser massa de manobra?

Mudanças

“Assim, limpas as suas armas, … , julgou-se inteirado de que nada mais lhe faltava, senão buscar uma dama de quem se enamorar; que andante cavaleiro sem amores era árvore sem folhas, nem frutos, e corpo sem alma”. Dom Quixote de La Mancha – Miguel de Cervantes.

Preocupava-se nosse nobre aventureiro de La Mancha, ante a possibilidade de vir a derrotar em batalha a um ocasional gigante, que não teria a quem prestar homenagem dizendo: “Eu, senhora, sou o gigante Caraculiambro, senhor da ilha Malindrânia, a quem venceu em singular batalha o jamais dignamente louvado cavalheiro Dom Quixote de la Mancha, o qual me ordenou me apresentasse perante Vossa Mercê, para que vossa grandeza disponha de mim como for servida?” – Idem, obra citada.

Assim resolvia o nobre cavaleiro deixar uma amada a sua espera, com a finalidade de receber em audiência os eventuais gigantes que viessem a ser derrotados e conquistados em batalha, para que pudessem prestar testemunho de seus gloriosos feitos.

Hoje não existem mais cavaleiros de gloriosos feitos; não existem mais damas que esperem eventuais gigantes derrotados em duras batalhas. Será que ainda existem eventuais gigantes?