Monthly Archive for October, 2006

Bagulhos & Bagulheiros

Vou confessar pra vocês: – Sou um viciado em bagulhos, porcarias, quinquilharias, numa palavra, lixo! Sabem aqueles caras que sempre acham alguma utilidade futura para uma porcaria qualquer? Pois é, eu sou um deles, sou desse tipo. Olho o aparelho queimado e vejo que têm peças ainda boas, parafusos bons, qualquer coisa ainda utilizável, e guardo. Só não guardo lâmpadas queimadas porque ainda não achei uma utilidade para elas!

O bagulheiro acredita na mááxima de “quem guarda têm!”. E é verdade, como têm! Além de muita porcaria acumulada, quem guarda porcaria têm o que não presta quando não precisa. Ou quando precisa de uma porcaria qualquer, ou não lembra que tem a porcaria precisada, ou não sabe onde está guardada a porcaria precisada. Resultado: sai e acaba comprando um artigo novo em folha. Quer dizer, utilidade muito próxima do zero. Custo benefício para estocar os 85.426 itens que tenho guardado, um desastre! Devo ter utilizado o apreciável número de 10 ou 20 porcarias quaisquer durante toda a vida.

Para um bagulheiro tudo serve, tudo é bom, tudo é reaproveitável – exceto, ainda, a lâmpada queimada. Nada escapa! Prego torto e enferrujado? Quem sabe? Se você olhasse a minha oficina, com as suas inumeraveis caixas, latinhas e vidros contendo um pouco da porcaria de toda uma vida, entenderia de cara do que estou falando.

Mas uma coisa o bagulhero é: um sonhador! Sonha todos os dias com um limpeza que irá livrá-lo de todo o lixo. Entra as oito da manhã na oficina, cheiro de coragem e determinação, fica lá durante quatro horas, e sai todo sujo e empoeirado, e coloca no lixo o resultado do árduo trabalho: quatro pregos enferrujados…

Eu vou, eu vou…

Lembro dos meus tempos de infância, éramos pobres, éramos ricos. Tínhamos pouco, nada faltava. Minhas memórias de infância estão povoadas de história, de imagens, de músicas, de encantamentos; minha mãe transformava o mundo, pintava-o com cores magníficas e nos apresentava, aos nossos maravilhados olhos.

Dizem que a formação se sedimenta na primeira infância, se é assim, se é verdade, nessa fase eu tive tudo o que precisava para um desenvolvimento fantástico. Não tenho como atributo ter uma memória muito desenvolvida, mas mesmo assim é impossível não lembrar de tanta informação e de tantos carinhos recebidos nessa fase.

Comparo a nossa formação, minha e de meus irmãos, com a das crianças de hoje e sinto pena da nossa modernidade. Os tempos não trouxeram nesse campo progressos, campo que não depende deste tipo de avanço, mas do carinho, da atenção e da dedicação de quem quis ser mãe, de quem sempre achou que essa era a missão recebida de Deus, e que, graças a ele, a mantém entre nós até os dias de hoje.

“Eu vou, eu vou…” é a forma como começa uma das incontáves musicas que cantávamos juntos, e que agora me cobra uma visita a minha querida e amada mãe. Preciso ir até ela para dar e receber um abraço, um beijo, um carinho, estar ao seu lado, compartilhar do eterno amor maternal…

Louco escrever

É, nesse meu louco escrever, fico saltando de blog em blog, de lugar em lugar, com isso não dou a necessária continuidade a nenhum deles. Assim sou eu, um inconstante… Um dia vou aprender, lançarei âncora e amarras a um porto e tentarei ficar o maior tempo possível, com isso terei largado essa vida de viver sempre à deriva…

Amanheço nessa segunda-feira com a sensação de que teremos mais do mesmo, ou mais quatro anos para penar com essa administração do atraso. O que se pode esperar de um governo que tem como modelo a ilha de Cuba? Só o que se vê aí todos os dias: uma país maravilhoso nas propagandas e péssimo na realidade: insegurança, juros extorsivos, desemprego, divida monumental, etc…

Amanhece um dia de sol desbragado, depois do final de semana chuvoso, ninguém merece! Como não adianta reclamar do tempo, muito menos do que passou, o jeito é curtir o dia de hoje e esquecer o dia de ontem – e o de amanhã com esse governo que segue…

(Re) Conexão

Tanto tempo sem atualizar o Pipocador e os assuntos parece que foram escrito ontem e hoje. Ontem a promessa e os motivos da reeleição, hoje a realidade (ou pesadêlo?) Certamente quem já perdeu quatro anos, pode perder mais quatro… pode perder uma vida esperando as coisas melhorarem.

Continuamos sendo o eterno “país do futuro” (do pretérito?); nossa gente, cansada de eleger os doutos, resolveu apostar nos ignaros, pobre e desesperançada gente que ainda acha que sairá do seu meio um profeta salvador que virá para os salvar.

Enquanto isso, é bom levar vantagem em tudo, certo?

The day after…

Leio as notícias sobre a vitória petista para um segundo mandato nas eleiçoes presidenciais que se encerraram ontem. Não gosto do que leio. A preocupação é que o novo (velho) governo busque apoio para seu segundo mandato entre as forças políticas da nação – opinam na matéria vários especialistas em política nacional.

A maioria dos cientistas políticos entende que essa tarefa não será tão difícil como se imagina. Falam que a oposição apoiará o atual presidente em seu segundo mandato, pois espera que ele faça o que chamam de “trabalho sujo”, a aprovação das impopulares reformas constitucionais na previdência e na legislação trabalhista (certamente para a retirada de direitos).

A oposição age como se os quatro próximos anos não existissem, como se fossem anos preparatórios para o futuro, de olho que estão nas eleições de 2010. E esse tem sido o nosso problema. O país nunca existe no presente – o eterno país do futuro! O atual presidente esclareceu na sua campanha de reeleição que “no primeiro mandato plantou as bases para o segundo” – foram anos mais duros – é preciso primeiro fazer o bolo crescer para depois dividi-lo, lembram de já ter ouvido isso?

Agora no segundo mandato – que seria o das benécies -, a julgar pela intenção oposicionista, o povo receberia como presente esse “trabalho sujo”, sabem como é, mais uma bola nas costas. Depois, perguntados sobre as benécies, dirão que eram “bravatas eleitorais”, que prometer é uma coisa e (cumprir)governar é outra…

Entre mortos e feridos…

Perdemos todos! Gostaria de dizer que não é verdade, que o país seguiu o melhor caminho. Infelizmente esse não é o caso. O povo escolheu, não porque fosse a melhor escolha, mas porque foi o que a sabedoria popular permitiu, ou com a sabedoria que se pode exigir de um povo simples.

Uma análise mais acurada dos números vai revelar o que falo, os índices que deram a vitória ao candidato eleito vieram do seio dos humildes, dos menos alfabetizados.

Lamento por estes, pelos humildes, que mais uma vez perderão, que mais uma vez sairam dessa (des)iludidos.

Perdas

Ninguém entende perdas na sua potencialidade, só na sua concretude. Perda só é perda quando o vazio ocupa o espaço que antes era ocupado por alguém amado. O saber que se pode vir a perder algum dia não é aviso suficiente para valorizar a presença no hoje e agora. Todos parecem viver e conviver com os outros com um sentimento de eternitude.

E no entando somos finitos; frágeis criaturas, sujeitas as intempéries, aos acidentes, e quando não ao imprevisto, ao previsto, ao tempo que se encarrega de tornar verdadeira a sina de que somos pó e a ele voltaremos.

Não quero ser fatalista, mas é triste valorizar só na falta, abraçar o ar, quando hoje há alguém que anseia pelo nosso abraço, beijar em pensamento, quando hoje existem lábios a esperar pelo beijo dos nossos lábios, dizer um eu te amo para o além, quando hoje ouvidos estão atentos a nossa confissão de amor.

Para que se tenha o ganho é preciso viver a realidade, é preciso viver na iminência de perder…

Ninguém merece

Ouço na televisão que, aos 58 anos, Rita Lee finalmente (?) abandonou as drogas. Mas não era, segundo ela mesma “coisas da juventude”? Eu não tenho nada a ver com isso, fora a eventual propaganda negativa, ela faz das droga e da vida dela o que quiser, mas ninguém merece ficar ouvindo histórias de que ela largou ou não a vida de viciada. Se é para ficar enganando o público, melhor guardar para si os seus maus hábitos, os seus vícios.

Essa é aliás uma outra história – real – sobre quem tem “criatividade”. Muitos tem é química, muita química. Talento tem quem tem de cara limpa – talento a custo de química para mim não é talento, é tipo tímido que se embebeda para virar leão de festa. Qual o mérito?

A Outrolândia

Criaram o estereótipo do perfeito brasileiro: um sujeito bonachão, que adora futebol, mulher e samba, nao necessar…, despreocupado com as coisas do país, da política e do mundo. Ou seja, um perfeito otário! Alguém disposto a pagar os impostos e não querer saber como, por quem e para que tudo é gasto.

Alguém que não se incomoda em ser roubado diariamente, alguém que não se importa em ver o seu direito desrespeitado. Para representá-lo, a figura perfeita: o político canalha, em todos os níveis, quanto mais ladrão e mais incompetente, tanto melhor.

Você que me lê vai dizer: “Epa, mas eu não sou assim!” Essa, aliás é outra caracteristica nossa, o problema sempre são ou outros, os alienados são os outros. O problema do Brasil não é o seu povo, é a Outrolândia! Agora mesmo, ninguém vai reeleger o apedeuta, será reeleito pelos eleitores da Outrolândia para nos (des)governar por mais quatro infelizes anos.

Os amigos computadores

Computadores são máquinas amistosas. Você consulta o tópico: “Instalando uma rede doméstica em dez passos fáceis”. Não se anime. Pelo menos, não ainda! Esses dez passos podem se tornar uma jornada indescritível, uma autêntica “via crucis”. Um inocente ítem como instale o cabeamento entre os computadores pode demandar uma obra faraônica no seu lar, com contratação de empresa especializada, e muito pó.

Sempre resta a alternativa mais moderna, a alternativa “wireless”, que embora seja um pouco mais complicada que a que utiliza cabos, descomplica por não utilizá-los, como o nome diz, uma rede sem fio.

Resolvidos os problemas de hardware, a rede em si, a instalação das placas de redes nas estações de trabalho que farão parte da sua “network”, embora o nome mais apropriado fosse “netfun”, já que a utilidade funcional de uma rede doméstica vai pouco além do “Counter Strike” e outros. Dá pra usar o MSN, quando é comum se ouvir na casa: “- Fulano!, Atende aí o msn, sou eu que estou chamando!”

A etapa final é acertar o software da rede, fazer com que as máquinas conversem umas com as outras. Tarefa fácil! Depois de instalados os programas, munidos das senhas e permissões, ninguém fala com ninguém. Você escancara as portas de um computar para o outro e: nada! Depois de horas, dias tentando você desiste.

Na calada da noite, um hacker paraguaio acessa a sua rede, entra em todas as suas máquinas super seguras e, finalmente, você tem uma rede, embora ainda não saiba…