Vou confessar pra vocês: – Sou um viciado em bagulhos, porcarias, quinquilharias, numa palavra, lixo! Sabem aqueles caras que sempre acham alguma utilidade futura para uma porcaria qualquer? Pois é, eu sou um deles, sou desse tipo. Olho o aparelho queimado e vejo que têm peças ainda boas, parafusos bons, qualquer coisa ainda utilizável, e guardo. Só não guardo lâmpadas queimadas porque ainda não achei uma utilidade para elas!
O bagulheiro acredita na mááxima de “quem guarda têm!”. E é verdade, como têm! Além de muita porcaria acumulada, quem guarda porcaria têm o que não presta quando não precisa. Ou quando precisa de uma porcaria qualquer, ou não lembra que tem a porcaria precisada, ou não sabe onde está guardada a porcaria precisada. Resultado: sai e acaba comprando um artigo novo em folha. Quer dizer, utilidade muito próxima do zero. Custo benefício para estocar os 85.426 itens que tenho guardado, um desastre! Devo ter utilizado o apreciável número de 10 ou 20 porcarias quaisquer durante toda a vida.
Para um bagulheiro tudo serve, tudo é bom, tudo é reaproveitável – exceto, ainda, a lâmpada queimada. Nada escapa! Prego torto e enferrujado? Quem sabe? Se você olhasse a minha oficina, com as suas inumeraveis caixas, latinhas e vidros contendo um pouco da porcaria de toda uma vida, entenderia de cara do que estou falando.
Mas uma coisa o bagulhero é: um sonhador! Sonha todos os dias com um limpeza que irá livrá-lo de todo o lixo. Entra as oito da manhã na oficina, cheiro de coragem e determinação, fica lá durante quatro horas, e sai todo sujo e empoeirado, e coloca no lixo o resultado do árduo trabalho: quatro pregos enferrujados…